Economia

BYD nacionaliza produção na Bahia e prepara carros brasileiros para exportação ao Mercosul

Fábrica de Camaçari já emprega 9 mil pessoas.

Foto: Ricardo Stuckert | Adriel Francisco | Lucas Santa Bárbara | Divulgação

A BYD entra na etapa de nacionalização efetiva dos veículos produzidos no Brasil e prepara a fábrica de Camaçari, na Bahia, para também abastecer outros países do Mercosul. As áreas de soldagem, pintura e estamparia estão em fase final de implantação, enquanto 17 fornecedores já se instalaram no complexo industrial.

A expectativa é que os primeiros automóveis enquadrados como nacionais comecem a sair das linhas entre novembro e dezembro, com índice de aproximadamente 50% de componentes locais em janeiro de 2027. O percentual supera os 35% de conteúdo regional exigidos pelas regras de origem do Mercosul e abre caminho para que os carros fabricados na Bahia sejam exportados sem o tratamento dado aos veículos importados de fora do bloco. Os investimentos acumulados no projeto já ultrapassam R$ 11 bilhões.

O avanço industrial também aparece nos números de emprego. A planta tem atualmente 9 mil funcionários diretos — 8,5 mil brasileiros e cerca de 500 chineses — e pretende encerrar 2026 com pelo menos 10 mil trabalhadores.

Segundo a BYD, 90% dos empregados são baianos e a maioria mora em Camaçari. Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD do Brasil, afirmou que o projeto ainda está longe de sua dimensão final: “O projeto ainda não chegou na metade, chegaremos a 20 mil funcionários”. Dados citados pela Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) indicam que, somados os postos indiretos, a operação já está associada a 22.080 vagas na região e movimenta mais de R$ 1,03 bilhão por ano em massa salarial. A companhia informa oficialmente que o complexo deverá gerar até 20 mil empregos diretos e indiretos em plena operação; portanto, as duas projeções têm metodologias diferentes e ainda dependem da expansão da fábrica.

A capacidade atual é de 150 mil veículos por ano, com expansão prevista para 300 mil e meta de longo prazo de até 600 mil unidades anuais, destinadas tanto ao mercado brasileiro quanto às exportações. Dolphin Mini, King, Song Pro e Atto 2 estão entre os modelos ligados à operação de Camaçari, e a picape Mako também está sendo preparada na fábrica. Para Stella Li, vice-presidente executiva da BYD e CEO para as Américas e Europa, a decisão de ampliar a produção local está ligada ao tamanho do mercado e à mão de obra disponível no país.

“Nós acreditamos no potencial do brasileiro”, afirmou a executiva ao anunciar novas contratações. Baldy também relaciona a produção brasileira à competitividade: “Em 2026, a produção de Camaçari será mais uma vez decisiva para que a BYD continue a ser competitiva em termos de preços frente à concorrência”. Argentina e outros mercados do Mercosul estão entre os destinos avaliados para os veículos produzidos na Bahia.

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