Negociadores iranianos deixaram Doha, no Catar, após uma rodada de conversas com intermediários catarianos sobre um possível acordo para encerrar a guerra com os Estados Unidos. Ao mesmo tempo, uma proposta preliminar está sendo distribuída para receber avaliações das partes envolvidas, segundo uma autoridade informada sobre as negociações ouvida pela agência Reuters nesta segunda-feira (2).
A saída da delegação ocorreu no domingo (1º), mas não foi motivada por dificuldades nas conversas, afirmou a fonte. Uma nova reunião ainda é considerada possível. Não foram divulgados detalhes sobre o conteúdo integral da minuta em circulação.
Apesar da movimentação diplomática, não houve avanço decisivo. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que os contatos por meio de intermediários continuam intensos e que o andamento das negociações depende da resposta política de Washington às condições apresentadas por Teerã.
Irã apresenta plano de sete etapas
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, afirmou que as conversas continuam baseadas em uma proposta de sete etapas elaborada pelo país em setembro. Segundo ele, o plano foi condensado e poderia ser implementado em um prazo de dois dias.
Entre as condições estão o fim do bloqueio naval dos Estados Unidos aos portos iranianos, a reabertura do Estreito de Ormuz, a autorização para a venda de petróleo iraniano e o cancelamento de novas sanções contra o país. Depois dessas medidas, poderiam ocorrer discussões sobre outros assuntos.
O presidente americano, Donald Trump, já havia rejeitado a proposta inicial de sete pontos em setembro.
Baghaei afirmou que não haverá acordo definitivo nem reabertura segura do Estreito de Ormuz enquanto o bloqueio americano não for encerrado e as exigências iranianas não forem atendidas.
Programa nuclear segue como ponto de divergência
O programa nuclear iraniano permanece entre os principais obstáculos para um entendimento. Teerã afirma que só aceitará retomar negociações específicas sobre o tema depois de verificar o cumprimento de suas condições.
Questionado sobre a possibilidade de transferir o estoque iraniano de urânio altamente enriquecido para outro país, Baghaei afirmou que essa alternativa não foi discutida e que o Irã não concordaria com a medida.
A posição indica que as negociações sobre o fim da guerra e a questão nuclear continuam sendo tratadas de maneira condicionada pelo governo iraniano.
Temor de retomada dos ataques
A movimentação diplomática ocorre em meio à preocupação de que o conflito seja retomado após as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para terça-feira (3).
Trump afirmou que não pretende realizar novos ataques contra o Irã antes da votação, mas não descartou uma retomada das ações militares posteriormente.
Fontes iranianas ouvidas pela Reuters avaliaram que um novo ataque americano ainda seria mais provável do que um acordo. A avaliação reforça a incerteza sobre o resultado das conversas, apesar da circulação de uma proposta preliminar.
China e Rússia também se manifestaram nesta segunda-feira contra uma nova escalada militar. O chanceler chinês, Wang Yi, defendeu que as partes priorizem uma solução política, enquanto o Ministério das Relações Exteriores russo classificou como preocupantes os relatos sobre a possibilidade de novas ações militares.
O conflito já provocou impactos sobre o comércio internacional e o abastecimento de energia, especialmente em razão das restrições à navegação pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo.
