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Trump chama midterms de ‘mais importantes de nossas vidas’ às vésperas da votação

Donald Trump (Foto: Daniel Torok/The White House/Wikimedia Commons — Domínio Público/Divulgação)

Trump chama as midterms de 2026 de decisivas antes da votação que renova o Congresso dos EUA e pode ter reflexos sobre dólar e juros no Brasil

Foto: Daniel Torok/The White House/Wikimedia Commons — Domínio Público/Divulgação

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou as eleições de meio de mandato desta terça-feira (3) como as “mais importantes” de sua vida política. A declaração foi feita nesta segunda-feira (2), durante um discurso em Washington, na reta final da campanha pelas chamadas midterms.

A votação definirá todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e cerca de um terço das vagas do Senado. Atualmente, os republicanos controlam as duas Casas, mas o resultado poderá modificar a composição do Congresso durante os dois últimos anos do atual mandato presidencial.

Embora Trump não esteja na cédula eleitoral, a disputa também funciona como uma avaliação política de seu governo. Durante a campanha, o presidente participou de eventos em diferentes estados e buscou mobilizar eleitores para os candidatos republicanos.

Trump aumenta tom antes das eleições de meio de mandato

Em discurso no Memorial Lincoln, em Washington, Trump afirmou que considera a eleição decisiva para o futuro de sua agenda. O presidente também voltou a atacar candidatos democratas. Em uma das declarações, classificou os adversários como alguns dos nomes “mais perigosos” já apresentados pelo partido.

A estratégia de Trump nos últimos dias incluiu viagens e comícios em estados onde candidatos republicanos enfrentam disputas importantes. A Reuters registrou que o presidente concentrou parte da agenda em locais como Iowa, Kansas, Ohio e Texas.

Ao mesmo tempo, Trump procurou minimizar a possibilidade de dificuldades para seu partido. O presidente apresentou um discurso otimista sobre o desempenho republicano, embora pesquisas mostrem uma disputa acirrada pelo controle do Congresso.

O que está em jogo nas midterms de 2026

As eleições de meio de mandato acontecem a cada dois anos nos Estados Unidos e recebem esse nome porque ocorrem no meio do mandato presidencial. Nesta terça-feira, os americanos escolherão todos os 435 integrantes da Câmara dos Representantes. Os deputados americanos cumprem mandatos de dois anos.

No Senado, os mandatos duram seis anos e são renovados de forma escalonada. Por isso, aproximadamente um terço das 100 cadeiras entra em disputa a cada eleição nacional. O partido que conseguir maioria em cada Casa terá maior influência sobre a tramitação de projetos, orçamento, impostos e fiscalização do Executivo nos próximos dois anos.

Republicanos defendem controle do Congresso

Antes da votação, os republicanos ocupam a maioria tanto na Câmara quanto no Senado. No Senado, o partido possui 53 cadeiras. Os democratas têm 45, enquanto dois independentes integram o grupo que se organiza politicamente com os democratas.

Na Câmara, os republicanos também chegam à eleição com maioria, embora a margem seja reduzida. A composição poderá mudar dependendo do resultado das disputas distritais desta terça-feira. Por isso, a votação será decisiva para definir o grau de apoio legislativo que Trump terá durante a segunda metade do mandato.

Pesquisa mostra aprovação baixa de Trump

Uma pesquisa Reuters/Ipsos concluída nesta segunda-feira apontou aprovação de 32% para Trump, perto do menor índice registrado durante sua atual passagem pela Casa Branca. No levantamento, 46% dos entrevistados disseram preferir candidatos democratas para o Congresso, enquanto 38% apontaram preferência por republicanos na chamada votação genérica.

A margem de erro foi de dois pontos percentuais. A pesquisa ouviu 1.765 adultos nos Estados Unidos. Como ocorre em levantamentos desse tipo, os números representam uma fotografia da opinião pública e não determinam o resultado das eleições.

O custo de vida também apareceu como uma das principais preocupações dos entrevistados. Segundo a pesquisa, 78% consideraram o tema muito importante ou prioritário na decisão do voto.

Economia ocupa espaço central na disputa

A situação econômica se tornou um dos principais assuntos das eleições de 2026. Eleitores demonstraram preocupação com inflação, preços de alimentos, energia e custo de vida. Ao mesmo tempo, Trump tem usado indicadores como desemprego e desempenho do mercado financeiro para defender sua gestão econômica.

A diferença entre a avaliação do governo e a percepção cotidiana dos eleitores tornou a economia um tema central da campanha. Democratas também passaram a explorar o custo de vida como argumento eleitoral, enquanto republicanos defendem políticas econômicas e tributárias adotadas durante a atual administração.

Resultado pode alterar relação de Trump com o Congresso

A composição do Congresso influencia diretamente a capacidade de qualquer presidente americano aprovar leis. Caso um partido de oposição controle uma das Casas, o governo precisa ampliar as negociações para conseguir aprovar projetos sobre orçamento, impostos e outras prioridades.

Além disso, o Congresso exerce funções de fiscalização sobre o Executivo e pode realizar investigações, convocar autoridades e bloquear propostas presidenciais. A própria Casa Branca já analisou alternativas para continuar executando parte da agenda presidencial caso os democratas conquistem maior espaço no Legislativo.

Por que as midterms podem interessar ao Brasil

O resultado também é acompanhado pelos mercados internacionais porque decisões tomadas pelo Congresso americano podem influenciar a política fiscal dos Estados Unidos. Mudanças em gastos públicos ou impostos podem alterar as expectativas sobre a dívida americana e os rendimentos dos títulos do Tesouro.

Quando esses títulos oferecem retornos maiores, investidores podem direcionar recursos para os Estados Unidos. Esse movimento pode reduzir a entrada de capital em mercados emergentes e pressionar moedas como o real. Por isso, investidores brasileiros acompanham tanto o resultado das urnas quanto as futuras decisões fiscais e econômicas do novo Congresso.

Dólar e juros podem reagir às expectativas fiscais

Os efeitos sobre o Brasil não dependem apenas de qual partido conquista mais cadeiras. O mercado tende a observar principalmente quais medidas econômicas terão possibilidade de avançar no Congresso após a eleição.

Se houver expectativa de maior déficit público americano, por exemplo, os juros dos títulos do Tesouro podem subir. Nesse cenário, aplicações nos Estados Unidos se tornam relativamente mais atraentes. Movimentos desse tipo podem influenciar o dólar, os juros futuros no Brasil e, indiretamente, as expectativas para a política monetária brasileira.

Eleitores vão às urnas nesta terça-feira

A legislação americana determina que as eleições para o Congresso ocorram na terça-feira seguinte à primeira segunda-feira de novembro dos anos pares. Em 2026, a data corresponde a 3 de novembro. Milhões de americanos também já participaram da votação antecipada ou enviaram votos pelo correio. O Serviço Postal dos Estados Unidos adotou operações especiais para garantir a entrega de milhões de cédulas dentro dos prazos estaduais.

Os resultados começarão a ser divulgados após o fechamento das urnas, mas algumas disputas podem demorar mais tempo para serem definidas devido às regras específicas de cada estado. A definição do controle da Câmara e do Senado determinará o cenário político que Trump enfrentará durante os dois anos restantes de seu mandato.

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