Uma nova onda de ataques russos contra diferentes regiões da Ucrânia deixou mortos, feridos e danos à infraestrutura civil nesta segunda-feira (2). Um dos episódios mais graves ocorreu na vila de Komyshuvakha, na região de Zaporizhzhia, onde uma escola utilizada como ponto de distribuição de ajuda humanitária foi bombardeada. O balanço mais recente aponta 31 mortos, cinco feridos e aproximadamente 50 desaparecidos.
As equipes de emergência permanecem trabalhando entre os escombros nesta terça-feira (3), em busca de sobreviventes. Entre as vítimas fatais estão quatro policiais e dois integrantes dos serviços de resgate, que atuavam na região após os primeiros ataques.
O chefe interino da administração militar regional, Mykhailo Semikin, classificou a dimensão da tragédia como assustadora e afirmou que o episódio está entre os mais graves em número de vítimas civis na região desde o início da invasão russa em larga escala.
Segundo bombardeio atingiu pessoas que procuravam abrigo
A escola não estava funcionando para atividades escolares. Como a localidade fica próxima à linha de frente da guerra, o prédio era utilizado como abrigo e ponto de distribuição de alimentos e outros itens essenciais para moradores que permaneceram na região.
Segundo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, o primeiro ataque ocorreu quando civis chegavam ao local para receber assistência. Depois, as forças russas realizaram um novo bombardeio, com outras nove bombas, que atingiram diretamente o abrigo onde as pessoas haviam procurado proteção.
Zelensky afirmou que o local era utilizado regularmente para a distribuição de ajuda e acusou Moscou de atingir deliberadamente uma estrutura destinada à assistência humanitária.
As autoridades ucranianas informaram que foram utilizadas bombas com capacidade de perfurar bunkers e cargas explosivas de quase 1,5 tonelada. A região de Zaporizhzhia decretou três dias de luto pelas vítimas.
Socorristas também morreram durante a operação
A sequência de ataques dificultou o trabalho das equipes de emergência. Dois socorristas e quatro policiais morreram durante a ocorrência. Outros dois integrantes dos serviços de resgate ficaram feridos e foram encaminhados para atendimento hospitalar.
As operações de busca continuam diante da possibilidade de haver pessoas soterradas. A presença de drones e o risco de novos bombardeios também representam obstáculos para os profissionais que trabalham no local.
Hospitais e cidades também foram atingidos
O ataque à escola ocorreu em meio a uma ofensiva mais ampla. Segundo Zelensky, a Rússia lançou durante a noite 289 drones de ataque, 17 mísseis balísticos e 59 mísseis de cruzeiro contra nove regiões ucranianas.
Na região de Kharkiv, no nordeste do país, pelo menos 62 pessoas ficaram feridas. Uma unidade de saúde foi danificada, assim como quatro edifícios residenciais e veículos. Mais de 200 pacientes precisaram ser transferidos para outros hospitais.
Em Dnipro, outro ataque matou uma pessoa e deixou 17 feridos. Uma mulher foi retirada com vida dos escombros durante a manhã. Uma clínica e um hospital também sofreram danos, exigindo a transferência de pacientes.
A ofensiva provocou ainda danos à infraestrutura e interrupções no fornecimento de energia em diferentes localidades.
Moscou apresenta outra versão sobre os alvos
O Ministério da Defesa russo afirmou que suas forças atacaram unidades militares ucranianas nas proximidades de Komyshuvakha e em outros dois povoados da região de Zaporizhzhia.
Em comunicado divulgado nesta terça-feira, o órgão declarou que até 25 militares ucranianos teriam sido mortos e que equipamentos militares foram destruídos. A versão apresentada por Moscou não foi confirmada de maneira independente.
Rússia e Ucrânia negam atacar deliberadamente a população civil.
Guerra mantém pressão sobre a população
O bombardeio aconteceu um dia depois do encerramento de uma trégua local de seis dias, intermediada pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump. A pausa nos combates tinha como objetivo permitir a entrada de ajuda humanitária em Oleshky, na região de Kherson, além de possibilitar a retirada de moradores que desejassem deixar a localidade.
O episódio em Komyshuvakha amplia a preocupação com a segurança de civis em áreas próximas à linha de frente. Escolas, hospitais, abrigos e pontos de distribuição de alimentos continuam expostos aos riscos da guerra, que já se estende por mais de quatro anos.
