Economia

Brasil registra menor número de crianças no trabalho infantil desde 2016

Trabalho infantil no Brasil cai (Foto: Reprodução/Agência Brasil)

Brasil registra 1,499 milhão de crianças e adolescentes no trabalho infantil em 2025, menor número desde 2016.

O Brasil registrou 1,499 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil em 2025. O número representa uma queda de 9,2% em relação ao ano anterior e é o menor desde o início da série histórica, em 2016, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em 2016, o país tinha 2,1 milhões de crianças e adolescentes nessa situação, o equivalente a 5,2% da população dessa faixa etária. Em 2025, a proporção caiu para 4%, com aproximadamente 151 mil casos a menos em comparação com 2024. Apesar do avanço, os dados mostram que o trabalho infantil continua sendo um problema no país.

Entre os casos registrados em 2025, cerca de 525 mil crianças e adolescentes estavam ocupados nas chamadas piores formas de trabalho infantil. O grupo representa 36,2% daqueles que realizavam atividades econômicas. Essas ocupações incluem trabalhos que podem comprometer a saúde, a segurança e o desenvolvimento, como atividades com máquinas perigosas, produtos químicos e exposição a condições insalubres.

O levantamento também aponta diferenças entre as faixas etárias. Adolescentes de 16 e 17 anos representavam 58,1% do total de pessoas em situação de trabalho infantil, com 871 mil casos. Entre aqueles de 14 e 15 anos, foram registrados 348 mil casos. Já entre crianças de 5 a 13 anos, o número chegou a 280 mil, incluindo atividades destinadas exclusivamente ao próprio consumo, como a produção de alimentos para a família.

As desigualdades também aparecem no perfil das crianças e dos adolescentes afetados. Os meninos correspondiam a 65,4% do total, enquanto crianças e adolescentes pretos ou pardos representavam 67%. Nas piores formas de trabalho infantil, a concentração era ainda maior entre esses grupos: 72,6% eram meninos e 68,3% eram pretos ou pardos.

A relação com a educação é outro ponto de atenção. A taxa de escolarização entre crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil foi de 86,9%, abaixo dos 97,5% registrados para a população de 5 a 17 anos. Entre os jovens de 16 e 17 anos nessa condição, 79,6% frequentavam a escola, ante 89,6% do total da mesma faixa etária. Os dados mostram uma diferença na frequência escolar, embora não comprovem, isoladamente, que o trabalho tenha causado o afastamento dos estudos.

Na distribuição regional, o Sudeste concentrou o maior número absoluto de casos, com 481 mil crianças e adolescentes, seguido pelo Nordeste, com 408 mil. Entretanto, o Norte apresentou a maior proporção de trabalho infantil em relação à população jovem da região, com 6,3%. No Sudeste, a taxa foi de 3,3%, a menor do país. O levantamento também indica que a redução entre 2024 e 2025 se concentrou nas famílias beneficiárias do Bolsa Família, que registraram queda de 20,1% nos casos.

Apesar da redução apontada pelo IBGE, a fiscalização continua sendo um desafio. Em 2025, o Ministério do Trabalho e Emprego realizou 10.234 ações fiscais, que resultaram no afastamento de 4.318 crianças e adolescentes do trabalho infantil, o maior número dos últimos dez anos. No mesmo período, o Disque 100 recebeu cerca de 5,1 mil denúncias relacionadas ao problema, alta de 19,4% em relação a 2024. Os números reforçam que, embora o país tenha alcançado o menor patamar da série histórica, ainda há milhares de crianças e adolescentes expostos a atividades inadequadas para sua idade.

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