Os mercados internacionais reagiram negativamente à vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial deste domingo (25). O dólar futuro chegou ao equivalente a R$ 5,51 na Bolsa de Chicago, enquanto um fundo que acompanha o Ibovespa recuou 11,59% na Bolsa de Tóquio. A movimentação antecipa possíveis ajustes nos ativos brasileiros antes da abertura dos negócios no país.
O resultado contrariou as expectativas de parte do mercado financeiro. Segundo Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, a instituição trabalhava com um leve favoritismo de Flávio Bolsonaro. A possibilidade de mudança de governo e de uma agenda econômica mais liberal havia contribuído para a valorização dos ativos brasileiros após o primeiro turno.
Na Bolsa de Chicago (CME), o contrato de real com vencimento em novembro de 2026 era negociado a US$ 0,1814 por real, com queda de 9,14% para a moeda brasileira. Convertida para reais por dólar, a cotação equivalia a R$ 5,5127, uma alta de 10,06% em relação ao ajuste anterior, de R$ 5,0088. Os dados foram consultados às 21h04, no horário de Brasília, e estavam sujeitos ao atraso na divulgação dos preços.
A cotação, entretanto, não representa o valor do dólar comercial negociado no Brasil. O mercado futuro de Chicago permite que investidores ajustem suas posições antes da abertura dos negócios brasileiros. Já no Japão, o NEXT FUNDS Ibovespa Linked ETF, fundo que acompanha o principal índice da Bolsa brasileira, caía 11,59%, para 289,1 ienes, às 21h14 de Brasília.
Diante do resultado eleitoral, Sung prevê uma semana de forte volatilidade nos mercados. Para o economista, os investidores precisarão rever suas posições, o que poderá provocar oscilações na Bolsa, no câmbio e nos juros futuros. Além disso, ele avalia que os títulos públicos brasileiros também poderão sofrer pressão durante o ajuste das expectativas.
Na avaliação da Suno Research, o novo mandato poderá trazer um ajuste fiscal mais moderado do que o esperado em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. A instituição projeta crescimento de aproximadamente 1,3% para a economia brasileira em 2027. Por outro lado, a expectativa de uma inflação mais persistente pode limitar o espaço para cortes na taxa básica de juros, a Selic.
Nesse cenário, Sung avalia que o dólar poderá permanecer próximo de R$ 5,40 em 2027. O economista ressalta, porém, que o comportamento dos ativos dependerá das próximas decisões do governo e das sinalizações sobre a política econômica. Ele também lembra que o pessimismo observado após a eleição de Lula em 2022 foi seguido por uma melhora das expectativas com a aprovação do novo arcabouço fiscal, em 2023.
Lula reverteu a vantagem de Flávio Bolsonaro, que havia recebido 47,03% dos votos válidos no primeiro turno, contra 45,16% do petista. Neste domingo, o atual presidente assumiu a liderança da apuração às 20h26, e o Datafolha projetou sua vitória às 20h53. Com o resultado, Lula garantiu um quarto mandato presidencial, enquanto o mercado passou a avaliar os possíveis impactos da decisão eleitoral sobre a economia brasileira.
