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Futuro: Dólar em alta após eleições e fenômeno El Niño elevam risco de inflação no Brasil

Dólar e real (Foto: Gerada com auxílio de IA)

Moeda americana acumulou valorização de 9,2% na semana após a reeleição de Lula; economistas revisaram projeções para o IPCA de 2026 e 2027

Foto: Gerada com auxílio de IA

A valorização do dólar após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aumentou a preocupação com a inflação no Brasil. A moeda americana fechou a sexta-feira (30) cotada a R$ 5,447, acumulando alta de 9,2% na semana. Ao mesmo tempo, os efeitos do fenômeno climático El Niño sobre a produção agrícola podem ampliar a pressão sobre os preços dos alimentos.

O cenário levou economistas a revisarem para cima suas estimativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação brasileira. A combinação de câmbio mais caro, incertezas fiscais e possíveis dificuldades na oferta de produtos agrícolas representa um desafio para o controle dos preços.

Segundo analistas ouvidos pela Folha de S.Paulo, a valorização da moeda americana pode encarecer combustíveis, alimentos, insumos importados e bens duráveis. Isso acontece porque diversos produtos e matérias-primas têm seus preços influenciados pelo mercado internacional e pela cotação do dólar.

Projeções de inflação sobem

O economista Fábio Romão, da consultoria 4intelligence, elevou sua projeção para o IPCA de 2026 de 5,18% para 5,31%. Para 2027, a estimativa passou de 4,23% para 5%.

Já Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, projeta inflação de 5,2% neste ano e de 4,5% em 2027. Rafael Cardoso, do banco Daycoval, estima altas de 5% em 2026 e 4,2% no ano seguinte.

As projeções superam o teto de tolerância da meta de inflação, estabelecido em 4,5%. O centro da meta perseguida pelo Banco Central é de 3%.

O boletim Focus divulgado em 26 de outubro, antes da valorização mais recente do dólar, apontava expectativa de inflação de 5,19% em 2026 e 4,34% em 2027.

El Niño pode pressionar os alimentos

Além do câmbio, o El Niño aparece como um fator de risco para a inflação. O fenômeno altera a distribuição das chuvas e as temperaturas em diferentes regiões do planeta, podendo provocar impactos sobre a produção agropecuária brasileira.

As condições climáticas já contribuíram para dificuldades na oferta de alimentos em algumas regiões, segundo economistas ouvidos pela Folha. A redução da oferta pode pressionar os preços de produtos agrícolas e, consequentemente, o custo da alimentação.

Em outubro, os preços da alimentação no domicílio subiram 1,01% no IPCA-15, prévia da inflação oficial. Foi a maior variação para o mês em cinco anos, desde 2021.

Entre os produtos com maiores altas estavam o tomate, que avançou 24,54%, a cebola, com aumento de 13,63%, a batata-inglesa, que subiu 10,96%, e o arroz, com alta de 5,8%.

O IPCA-15 de outubro registrou variação geral de 0,32%. Os dados do IPCA fechado do mês ainda não estavam disponíveis na publicação da reportagem.

Política fiscal também preocupa o mercado

A valorização do dólar foi associada à reação dos investidores diante de dúvidas sobre a condução das contas públicas após a reeleição de Lula. A preocupação é que a ausência de medidas consideradas suficientes para conter o crescimento da dívida pública mantenha a pressão sobre o câmbio.

Para Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management, a falta de um ajuste fiscal considerado crível pode prolongar a valorização do dólar e dificultar o trabalho do Banco Central.

Nesse cenário, a economista não descarta a possibilidade de a autoridade monetária voltar a elevar a taxa básica de juros em 2027, caso as expectativas de inflação continuem se deteriorando.

A Selic está em 13,75% ao ano. O mercado financeiro projetava, no boletim Focus de 26 de outubro, que a taxa encerraria 2026 em 13,25% e chegaria a 11,75% no fim de 2027.

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