A Meta, responsável pelo Instagram, Facebook e WhatsApp, negou nesta sexta-feira (16) ter interferido nas eleições brasileiras ou favorecido qualquer candidatura. A manifestação ocorreu após a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por suposto tratamento desigual em relação ao candidato Flávio Bolsonaro (PL).
Em nota, a empresa afirmou que não toma partido em eleições e classificou as acusações como falsas e infundadas. Segundo a companhia, seus sistemas não distribuem nem classificam conteúdos com base em ideologia política. A Meta também declarou que suas regras são aplicadas igualmente a todas as candidaturas.
Na quinta-feira (15), o ministro Marco Aurélio Bellizze, do TSE, determinou que a empresa garanta tratamento igualitário aos dois candidatos até o fim do segundo turno, previsto para 25 de outubro. A decisão estabelece multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento.
A determinação proíbe a Meta de reduzir de forma desigual a distribuição de publicações, limitar recomendações ou restringir resultados de buscas relacionados aos candidatos. A empresa também não poderá desativar contas de anúncios das campanhas nem limitar impulsionamentos sem revisão humana. Caso uma restrição seja aplicada automaticamente, deverá passar por revisão em até duas horas, com comunicação ao Tribunal.
Apesar das medidas, Bellizze ressaltou que ainda não existem elementos suficientes para concluir que a Meta tenha manipulado deliberadamente a distribuição de conteúdos para beneficiar ou prejudicar qualquer candidatura. A decisão permite restrições previstas nas regras da plataforma, desde que sejam aplicadas igualmente, além daquelas determinadas pela Justiça Eleitoral.
Meta atribui problemas a falhas técnicas
Um dos episódios questionados pela campanha de Lula envolve a Meta AI, ferramenta de inteligência artificial da empresa. Usuários relataram dificuldades para gerar imagens favoráveis ao presidente, enquanto solicitações semelhantes em apoio a Flávio Bolsonaro teriam sido permitidas. A companhia atribuiu o problema a uma falha específica nos mecanismos de proteção, identificada em 14 de outubro.
Segundo a Meta, o sistema bloqueava pedidos que utilizavam os nomes completos dos candidatos, mas não identificava determinadas combinações de primeiros nomes e números eleitorais. A empresa afirmou que a mesma falha também permitia gerar imagens relacionadas a Lula quando as solicitações mencionavam apenas seu primeiro nome e número de campanha. A companhia declarou que corrigiu o problema no mesmo dia e negou que houvesse motivação política.
Outro caso envolve a suspensão temporária de uma conta de anúncios da campanha de Lula, em 23 de setembro. A Meta informou que a desativação ocorreu por engano, durante uma análise de possíveis fraudes envolvendo programas sociais do governo federal. O bloqueio durou pouco mais de uma hora, segundo a empresa, que acrescentou que os perfis oficiais do presidente no Instagram e no Facebook não foram suspensos.
A Meta também atribuiu a problemas técnicos as reclamações sobre a contagem de visualizações dos Reels em 7 de outubro. De acordo com a companhia, uma falha global afetou criadores de conteúdo em mais de 100 países durante aproximadamente cinco horas, sem prejudicar a distribuição dos vídeos. A campanha de Flávio Bolsonaro também teria procurado a empresa para relatar o problema. Em outro incidente, ocorrido em 9 de outubro, milhares de anunciantes de diferentes países ficaram temporariamente impedidos de criar anúncios a partir de publicações existentes no Instagram. A Meta afirmou que a falha foi corrigida nas primeiras horas do dia seguinte.
