A duas semanas de uma eleição que pode redesenhar a segunda metade de seu mandato, Donald Trump recorreu à onda de protestos na França para pedir votos aos republicanos. Durante um comício realizado na segunda-feira (19), em Park City, no Kansas, o presidente dos Estados Unidos afirmou que o país poderia enfrentar um cenário semelhante ao francês caso os democratas avancem nas eleições de meio de mandato de 3 de novembro. “Se eles entrarem, vocês vão queimar como a França está queimando”, declarou Trump, em tradução fiel. Ele estava no estado para apoiar o senador republicano Roger Marshall, que tenta permanecer no cargo em uma disputa contra o democrata Adam Hamilton.
A referência de Trump ocorre depois de a França enfrentar alguns dos episódios de violência mais intensos dos últimos anos. Protestos motivados principalmente pelo aumento do custo de vida e pela insatisfação com serviços públicos terminaram em confrontos com policiais, saques e depredações em diferentes cidades. Ao relacionar os acontecimentos franceses à eleição americana, Trump também voltou a abordar imigração e economia, dois temas presentes na campanha republicana. A disputa no Kansas ganhou importância porque o estado, tradicionalmente favorável aos republicanos em eleições nacionais, tem uma corrida mais apertada para o Senado neste ano.
O que são as midterms e por que elas importam
As chamadas midterms são as eleições realizadas exatamente no meio do mandato de quatro anos de um presidente americano. Donald Trump não estará na cédula, mas o resultado poderá determinar quanto espaço político ele terá no Congresso até o fim de seu mandato, em janeiro de 2029. Os Estados Unidos elegem todos os 435 integrantes da Câmara dos Representantes a cada dois anos e renovam aproximadamente um terço das 100 cadeiras do Senado. Também há eleições para governadores e cargos estaduais em diferentes partes do país.
Hoje, o Partido Republicano controla as duas Casas, mas a margem na Câmara é pequena. Em 19 de outubro, eram 218 republicanos, 214 democratas, um independente e duas cadeiras vagas. No Senado, os republicanos ocupam 53 das 100 cadeiras, diante de 45 democratas e dois independentes que se alinham aos democratas para fins de organização da Casa. Uma mudança de maioria permitiria aos democratas assumir o comando de comissões, aumentar a capacidade de investigação sobre o governo e criar obstáculos a projetos apresentados pela Casa Branca. Para Trump, portanto, a eleição de novembro não define sua permanência na Presidência, mas pode determinar as condições políticas em que governará pelos dois anos seguintes.
O Kansas é uma das frentes dessa disputa. Roger Marshall ocupa uma das 35 cadeiras do Senado com mandato encerrado em janeiro de 2027 e busca a reeleição. Os democratas tentam conquistar quatro cadeiras líquidas no Senado para alterar o controle da Casa e também precisam avançar na Câmara. A votação das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos está marcada para terça-feira, 3 de novembro de 2026.
