Sete em cada dez americanos dizem não confiar que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aceitará o resultado das eleições de meio de mandato caso o Partido Republicano seja derrotado. O dado aparece em pesquisa divulgada nesta terça-feira (20) pelo Washington Post, pela ABC News e pelo instituto Ipsos.
O levantamento foi realizado entre 9 e 13 de outubro com 2.545 adultos nos Estados Unidos. A margem de erro é de dois pontos percentuais. Apenas 20% dos entrevistados disseram estar confiantes de que Trump aceitaria o resultado.
A desconfiança aparece com intensidades diferentes entre os grupos políticos. Entre democratas e independentes, o índice é mais alto, mas também há republicanos que demonstram dúvida sobre a reação do presidente em caso de derrota.
Histórico de 2020 pesa sobre percepção
A preocupação está ligada, em parte, ao comportamento de Trump após a eleição presidencial de 2020. Na ocasião, ele perdeu a disputa para Joe Biden e passou a contestar o resultado. Trump fez acusações de fraude eleitoral, mas não apresentou provas de irregularidades em escala suficiente para mudar o resultado da eleição.
Desde então, sua relação com o sistema eleitoral permaneceu como tema recorrente no debate político dos Estados Unidos. Agora, a pesquisa tenta medir justamente a confiança dos eleitores na postura do presidente diante de uma possível derrota republicana nas eleições legislativas.
Midterms acontecem em 3 de novembro
As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, estão marcadas para 3 de novembro. Diferentemente do Brasil, os Estados Unidos renovam parte do Congresso a cada dois anos. Neste ciclo, estarão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado.
Os republicanos controlam atualmente as duas Casas, mas por margens apertadas. O resultado será importante para a segunda metade do mandato de Trump. Caso os republicanos percam uma das Casas, a Casa Branca poderá enfrentar mais dificuldades para aprovar projetos e conduzir sua agenda no Congresso.
Popularidade de Trump também entra no radar
A votação ocorre em um momento de desgaste político para o presidente. Pesquisas recentes apontam aumento da desaprovação e mostram preocupação dos eleitores com temas como custo de vida, economia e segurança.
Esse cenário transforma as eleições de meio de mandato em um teste importante para o governo. Embora Trump não esteja na cédula, o desempenho de candidatos republicanos tende a ser interpretado como um sinal sobre a avaliação de sua gestão.
Ao mesmo tempo, as eleições também terão disputas para governos estaduais e outros cargos locais. Por isso, o impacto político vai além do Congresso.
Controle do Congresso está em jogo
As midterms costumam alterar o equilíbrio político em Washington. Se a oposição conquistar maioria na Câmara ou no Senado, pode dificultar votações, ampliar investigações e aumentar a pressão sobre o governo. Para Trump, manter o controle republicano seria importante para preservar apoio legislativo nos dois últimos anos do mandato.
Já uma vitória democrata em uma das Casas mudaria a correlação de forças no Congresso. A votação de 3 de novembro, portanto, terá impacto direto sobre a capacidade de articulação da Casa Branca até 2028.
