O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou nesta quinta-feira (15) que apoia a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos. A declaração ocorreu durante entrevista à TV Globo, conduzida pela jornalista Renata Lo Prete.
Além disso, Lula defendeu a investigação de suspeitas que envolvam ministros do Supremo Tribunal Federal. O presidente também falou sobre segurança pública, relação com os Estados Unidos, governabilidade e dificuldades enfrentadas pelo governo.
Ao longo da entrevista, Lula assumiu responsabilidade por falhas de comunicação da gestão e pela dificuldade de parte da população em compreender as ações do governo. Dessa forma, o presidente concentrou em si a responsabilidade política pelo desempenho da administração.
Lula defende maioridade penal aos 16 anos em crimes hediondos
Lula afirmou que apoia a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos. Atualmente, a legislação brasileira estabelece a maioridade penal aos 18 anos.
Segundo o presidente, porém, o Congresso deveria discutir o tema separadamente da PEC da Segurança Pública. Para ele, a proposta em tramitação precisa manter o foco na reorganização das responsabilidades entre União, estados e municípios.
Depois disso, segundo Lula, o Congresso poderia abrir uma discussão específica sobre a maioridade penal. Assim, o presidente defendeu a mudança, mas indicou que não considera adequado incluir o tema na atual PEC.
Lula pede investigação sobre suspeitas envolvendo ministros do STF
Outro ponto de destaque foi a discussão sobre ministros do Supremo Tribunal Federal citados em suspeitas relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Lula afirmou que eventuais denúncias precisam passar por investigação.
Além disso, o presidente disse que integrantes da Suprema Corte devem prestar esclarecimentos à sociedade quando surgirem suspeitas relevantes. Segundo ele, nenhuma autoridade deve ficar fora de apurações quando existirem elementos que justifiquem investigação.
Lula também afirmou que já conversou com o presidente do STF, Edson Fachin, sobre o tema. No entanto, as declarações do presidente representam sua avaliação política e não significam comprovação de irregularidades por parte dos ministros mencionados.
Presidente defende regras mais rígidas para o Judiciário
Durante a entrevista, Lula também cobrou padrões mais rigorosos de conduta para integrantes do Judiciário. Para ele, casos que envolvam dúvidas sobre comportamento ético precisam receber apuração clara. Além disso, o presidente afirmou que a sociedade espera transparência das instituições. Por isso, defendeu que o Judiciário aproveite episódios recentes para reforçar regras de conduta e prestação de contas.
Ao mesmo tempo, Lula afirmou que qualquer eventual punição deve ocorrer depois da investigação dos fatos. Dessa maneira, buscou separar suspeitas de conclusões definitivas.
Relação com os Estados Unidos segue baseada em negociação
Lula também falou sobre as relações comerciais com os Estados Unidos. O presidente afirmou que prefere manter a negociação com o governo de Donald Trump para tentar resolver as disputas envolvendo tarifas.
No entanto, ele não descartou medidas de reciprocidade caso as conversas não avancem. Segundo Lula, o Brasil pode responder comercialmente caso não consiga um acordo considerado satisfatório.
Além disso, o presidente afirmou que já conversou três vezes com Trump. Ele também disse que o governo brasileiro ampliou relações comerciais com outros países para reduzir os efeitos da queda nas trocas com os Estados Unidos.
Lula assume responsabilidade por dificuldades do governo
Questionado sobre o desempenho da própria gestão, Lula assumiu responsabilidade pelas dificuldades e pela rejeição enfrentadas pelo governo. Segundo ele, o presidente não pode transferir para terceiros a culpa por falhas na relação com a sociedade.
Lula afirmou que o governo realizou diversas ações, mas não conseguiu comunicar todas elas de maneira eficiente. Assim, reconheceu que a própria condução política teve impacto na forma como parte do eleitorado avaliou a administração.
Ao mesmo tempo, o presidente voltou a citar problemas que encontrou ao assumir o país. Ainda assim, reforçou que a responsabilidade final pelo desempenho do governo cabe a ele.
Segurança pública ganha espaço na entrevista
Lula também tratou da PEC da Segurança Pública e defendeu uma participação maior do governo federal no combate ao crime organizado. Segundo ele, a União precisa assumir responsabilidades mais amplas nessa área.
Além disso, o presidente afirmou que pretende criar um Ministério da Segurança Pública caso seja reeleito e a proposta avance no Congresso. Lula também mencionou a intenção de ampliar a estrutura federal de presídios de segurança máxima.
Com isso, o tema da segurança pública ganhou peso na entrevista. A área também ocupa espaço importante no debate eleitoral do 2º turno.
Lula rejeita classificação de PCC e CV como grupos terroristas
O presidente voltou a rejeitar a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Para Lula, as facções praticam crimes graves, mas devem receber tratamento jurídico dentro das regras de combate ao crime organizado.
Segundo o presidente, o conceito de terrorismo adotado pelos Estados Unidos envolve características diferentes. Por isso, ele defende outra abordagem jurídica para as facções brasileiras.
Ao mesmo tempo, Lula afirmou que propôs cooperação com o governo americano para combater organizações criminosas. Dessa forma, buscou separar a classificação jurídica da possibilidade de atuação conjunta entre os dois países.
Governabilidade também entra no debate
Lula ainda respondeu sobre a relação com o Congresso em um eventual novo mandato. O presidente lembrou que iniciou a atual gestão com uma bancada menor do que a soma das forças de oposição.
Ainda assim, segundo ele, o governo conseguiu aprovar propostas relevantes por meio de negociações com diferentes partidos. Lula citou a reforma tributária como exemplo desse processo.
Por isso, o presidente voltou a defender uma base política ampla. Segundo ele, alianças parlamentares continuarão sendo importantes para garantir governabilidade a partir de 2027.
Entrevista faz parte da cobertura do 2º turno
A entrevista de Lula abriu a rodada de conversas individuais da Globo com os candidatos que disputam o 2º turno da eleição presidencial de 2026.
Nesta sexta-feira (16), Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participa da mesma série de entrevistas com Renata Lo Prete. Depois disso, os dois candidatos ainda devem se encontrar em debate marcado para 23 de outubro.
Assim, as entrevistas entram na reta final da campanha. Os candidatos usam esse período para apresentar posições sobre economia, segurança pública, relações institucionais e propostas para um eventual próximo mandato.
