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Edir Macedo critica lema ‘Deus, Pátria e Família’ após eleição e amplia debate sobre relação com bolsonarismo

Edir Macedo Reprodução/Record

Edir Macedo critica o lema “Deus, Pátria e Família” em culto e amplia debate sobre a relação da Universal com o bolsonarismo

Foto: Reprodução/Record

O bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, criticou o lema “Deus, Pátria e Família”, associado ao bolsonarismo, durante um culto realizado em 25 de outubro, dia do 2º turno da eleição presidencial. A declaração ganhou forte repercussão nas redes sociais neste fim de semana.

Na pregação, Macedo disse que não concorda com a ordem apresentada pelo slogan. Segundo ele, Deus deve ocupar o primeiro lugar, seguido pela família e, depois, pelo Estado ou por qualquer outra instituição.

A fala chamou atenção porque ocorreu em um momento em que a Igreja Universal já vinha adotando uma postura mais distante da disputa presidencial. No 2º turno, a denominação evitou declarar apoio público tanto a Lula (PT) quanto a Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Edir Macedo rejeita lema associado ao bolsonarismo

Durante o culto, Macedo afirmou que não aprova a formulação “Deus, Pátria e Família”. Em seguida, explicou que, na visão religiosa defendida por ele, a hierarquia correta seria colocar a família antes da pátria. O líder da Universal citou personagens bíblicos, como Abraão e Isaac, para sustentar sua interpretação.

Também questionou se poderia existir uma pátria sem a existência anterior da família. A crítica, portanto, foi apresentada como uma questão de ordem religiosa e de valores. Ainda assim, por envolver um lema fortemente associado à família Bolsonaro, a declaração ganhou dimensão política depois da eleição.

Fala ocorreu no dia do 2º turno

A declaração foi feita na manhã de 25 de outubro, antes da conclusão da votação presidencial. Isso é importante porque o comentário não ocorreu depois da derrota de Flávio Bolsonaro, embora tenha viralizado dias mais tarde. Por isso, o conteúdo não pode ser tratado automaticamente como uma reação ao resultado das urnas. O que existe é uma repercussão posterior que passou a relacionar a fala ao novo cenário político.

A interpretação de que o episódio representa um afastamento do bolsonarismo aparece em análises e reportagens publicadas após a eleição. No entanto, Macedo não anunciou formalmente um rompimento político com a família Bolsonaro.

Universal adotou neutralidade no 2º turno

A repercussão também se explica pela postura adotada pela Igreja Universal na reta final da eleição. Durante o 2º turno, a denominação orientou seus dirigentes a não declararem apoio público a nenhum dos dois candidatos à Presidência. A decisão contrastou com o alinhamento mais explícito de outras lideranças evangélicas a Flávio Bolsonaro.

Ao mesmo tempo, o Republicanos, partido historicamente ligado à Universal, apoiou Flávio no 2º turno. A diferença entre a posição partidária e a postura institucional da igreja tornou o cenário mais complexo. Assim, a fala de Macedo passou a ser observada como mais um elemento dessa relação menos direta com o bolsonarismo.

Declaração gera interpretações políticas

Depois que o vídeo começou a circular, parte das análises tratou a manifestação como um possível sinal de distanciamento de Macedo em relação ao grupo político ligado a Bolsonaro. Essa leitura se apoia em dois fatores: a rejeição ao lema e a neutralidade pública adotada pela Universal no 2º turno.

Ainda assim, não houve anúncio oficial de rompimento, nem declaração explícita de apoio a outro campo político. Por isso, o episódio deve ser apresentado como um sinal interpretado por analistas e veículos, e não como uma mudança de aliança já confirmada.

Relação entre Universal e bolsonarismo passa por nova fase

A Igreja Universal manteve proximidade com Jair Bolsonaro em eleições anteriores, inclusive com apoio mais claro em 2022. Em 2026, porém, a denominação evitou repetir a mesma postura durante a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro. Essa mudança de comportamento já vinha chamando atenção antes da declaração de Edir Macedo.

Com a eleição encerrada, a crítica ao slogan reforçou o debate sobre qual será a posição da Universal diante da reorganização da direita e da oposição ao novo governo Lula. Por enquanto, porém, Macedo não indicou apoio formal a outro nome ou grupo político.

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