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Zelensky pede apoio a sanções contra a Rússia após Trump suspender medidas

Volodymyr Zelensky (Foto: Reprodução/Canal oficial Volodymyr Zelensky YouTube)

Presidente ucraniano afirma que restrições econômicas poderiam pressionar Moscou a encerrar a guerra; decisão de Washington ocorre em meio a novos ataques contra a infraestrutura energética da Ucrânia

Foto: Reprodução/Canal oficial Volodymyr Zelensky YouTube

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, pediu neste sábado (17) que apoiadores das sanções norte-americanas contra a Rússia se manifestem em defesa das medidas. O apelo foi feito depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspendeu a aplicação de um amplo pacote de restrições econômicas contra Moscou.

Em uma publicação nas redes sociais, Zelensky classificou a decisão como lamentável e afirmou que a legislação poderia contribuir para aumentar a pressão sobre o governo russo. O líder ucraniano evitou criticar diretamente Trump e agradeceu aos parlamentares democratas e republicanos que apoiaram a iniciativa.

A legislação, batizada em homenagem ao ex-senador norte-americano Lindsey Graham, morto em julho, busca restringir os recursos financeiros que sustentam a guerra russa contra a Ucrânia. Entre as medidas previstas estão sanções contra autoridades, bancos e uma frota de navios-tanque utilizada para transportar petróleo russo.

O pacote também prevê tarifas de até 100% contra determinados países que importem petróleo ou gás natural da Rússia, respeitadas as exceções estabelecidas na lei.

Trump justifica suspensão por interesse nacional

Trump assinou a ordem executiva na sexta-feira (16), poucos dias antes do prazo previsto para a implementação das medidas. Em comunicação ao Congresso, o presidente afirmou que a suspensão atende ao interesse nacional dos Estados Unidos, mas não apresentou detalhes públicos sobre a justificativa.

A decisão ocorreu cerca de um mês depois de Trump ter sancionado a legislação. O pacote havia recebido apoio bipartidário no Congresso norte-americano e tinha como objetivo aumentar a pressão econômica sobre Moscou para interromper o conflito.

O senador democrata Richard Blumenthal, um dos autores da proposta, criticou a decisão. Ele afirmou que a suspensão representa um afastamento dos objetivos defendidos pelo Congresso e pelos aliados europeus dos Estados Unidos.

A medida também foi anunciada poucos dias depois de Trump divulgar um acordo para a compra de diesel russo, apresentado pelo governo norte-americano como uma iniciativa para tentar reduzir os preços da energia.

Zelensky relata novos ataques à rede energética

Enquanto busca apoio internacional para manter a pressão econômica sobre Moscou, Zelensky informou que a Rússia realizou uma ofensiva de grande escala contra instalações de energia ucranianas durante a noite de sexta-feira para sábado.

Segundo o presidente, mais de 15 instalações foram atingidas. A Força Aérea da Ucrânia afirmou que as forças russas lançaram quatro mísseis de cruzeiro e 332 drones de ataque. De acordo com os militares ucranianos, todos os mísseis e 289 drones foram interceptados ou neutralizados.

Os ataques provocaram mortes e feridos em diferentes regiões. Autoridades ucranianas informaram que três pessoas morreram na cidade de Sloviansk e que um motorista de ambulância foi morto em um ataque na região de Kherson. Outras dezenas de pessoas ficaram feridas, segundo autoridades locais.

A ofensiva contra a infraestrutura energética aumenta a preocupação com o abastecimento de eletricidade e aquecimento à medida que o inverno se aproxima. Nos últimos anos, ataques à rede elétrica ucraniana têm provocado interrupções no fornecimento de energia, água e aquecimento em várias localidades.

Ataques com drones também atingem território russo

Autoridades russas relataram uma série de ataques com drones ucranianos durante a noite. Na região de Belgorod, uma mulher morreu, segundo informações divulgadas por representantes locais.

O Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter derrubado 610 drones ucranianos em diferentes regiões do país, além de áreas da Crimeia, território ucraniano anexado por Moscou em 2014. Os números divulgados pelo governo russo não puderam ser verificados de forma independente.

O prefeito de Moscou também informou que mais de cem drones foram abatidos quando se aproximavam da capital. A imprensa local relatou atrasos e cancelamentos de mais de 350 voos nos aeroportos da região.

A Romênia, integrante da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), informou que seus pilotos derrubaram dois drones sobre águas territoriais romenas no Mar Negro. Segundo o Ministério da Defesa romeno, aeronaves F-16 foram acionadas após a detecção de alvos aéreos que se deslocavam em direção ao sudoeste.

Zelensky busca manter diálogo com Washington

Apesar das divergências sobre as sanções e o apoio militar, o governo ucraniano mantém contatos com representantes norte-americanos. Zelensky afirmou que Rustem Umerov, principal negociador de Kiev, se reuniu na sexta-feira com Jared Kushner, enviado do governo Trump e genro do presidente dos Estados Unidos.

O líder ucraniano também declarou que Washington trabalha para organizar uma reunião trilateral entre ele, Trump e o presidente russo, Vladimir Putin. Segundo Zelensky, o encontro poderia ocorrer no Oriente Médio, na Europa ou nos Estados Unidos.

A suspensão das sanções amplia as incertezas sobre a estratégia norte-americana para o conflito. Enquanto Kiev busca preservar o apoio internacional, os ataques militares continuam e as negociações diplomáticas ainda não produziram um acordo para encerrar a guerra, iniciada com a invasão russa em larga escala em fevereiro de 2022.

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