A Ri Happy, uma das maiores redes de brinquedos do Brasil, entrou com um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 827,4 milhões em dívidas. A solicitação foi protocolada no domingo (18), apenas 48 dias após a aquisição da empresa pela BluSun Capital Partners. A medida faz parte de um processo de reestruturação financeira para reorganizar as contas e garantir a continuidade das operações.
Negociação com credores
De acordo com documentos apresentados à Justiça, a empresa já conseguiu a adesão de credores que representam aproximadamente 42,38% do valor das dívidas, o equivalente a R$ 308,8 milhões. A companhia terá um prazo de 90 dias para consolidar a aprovação do plano de renegociação.
Entre os principais credores estão instituições financeiras, como Banco do Brasil e Santander, além de fabricantes de brinquedos, como Mattel, Hasbro e Sunny Brinquedos. A negociação busca estabelecer condições de pagamento compatíveis com a capacidade financeira da varejista.
A recuperação extrajudicial permite que uma empresa negocie diretamente com seus credores para reorganizar as dívidas, com posterior homologação judicial do acordo. Diferentemente da recuperação judicial tradicional, o mecanismo possibilita uma negociação mais direcionada, sem exigir inicialmente a participação de todos os credores. O pedido, por si só, não significa que a empresa encerrou suas atividades ou entrou em processo de falência.
Mudança de controle e reestruturação
A solicitação ocorre menos de dois meses depois de a BluSun Capital Partners adquirir o controle integral do Grupo Ri Happy, no fim de agosto. Com a mudança, Héctor Núñez retornou à presidência da companhia, cargo que já havia ocupado entre 2012 e 2020.
Desde a troca de controle, a empresa iniciou medidas para reduzir custos e melhorar a eficiência operacional. Entre as mudanças estão ajustes nas equipes corporativas, preparação para uma nova sede e revisão de despesas. A companhia não detalhou quantos funcionários foram afetados pelas alterações nem qual economia espera alcançar.
Juros altos e concorrência pressionam o setor
A Ri Happy atribui as dificuldades financeiras a uma combinação de fatores, incluindo os juros elevados, a inflação, os efeitos acumulados da pandemia e as mudanças nos hábitos de consumo. A empresa também aponta o aumento da concorrência com plataformas digitais e marketplaces internacionais, que oferecem produtos a preços menores.
Segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), as importações de origem majoritariamente chinesa representaram 75,8% dos brinquedos vendidos no Brasil em 2025. A concorrência pressiona as empresas do setor a reduzir preços e margens para manter sua participação no mercado.
A crise não se limita à Ri Happy. A fabricante de brinquedos Estrela também recorreu à Justiça para buscar a recuperação de suas finanças, em um cenário de dificuldades para empresas tradicionais do segmento. <Cite refs=
Lojas continuarão funcionando
Apesar do pedido, a Ri Happy informou que suas lojas físicas e seus canais digitais seguem operando normalmente. A empresa também mantém os preparativos para a Black Friday e o Natal, períodos importantes para o comércio de brinquedos.
A companhia afirma que pretende priorizar o controle de custos, a preservação da liquidez e o fortalecimento das relações com fornecedores, franqueados e parceiros financeiros. O objetivo é reorganizar a estrutura financeira sem interromper o atendimento aos consumidores durante o processo de renegociação.
