Comprar um smartphone de última geração e pagar mais para ficar sem uma das funções mais valorizadas parece contraditório, mas existe um mercado para isso. Empresas especializadas modificam iPhones originais e retiram fisicamente as câmeras para atender profissionais que trabalham em instalações militares, órgãos governamentais, laboratórios e outros ambientes em que fotografias e vídeos são restritos por questões de segurança.
A Apple não fabrica oficialmente um “iPhone sem câmera”. Os aparelhos partem de modelos vendidos normalmente pela empresa e são alterados posteriormente por terceiros. A prática existe há anos e já foi usada, por exemplo, para permitir que profissionais levassem smartphones para instalações militares e governamentais sem violar regras que proíbem dispositivos capazes de registrar imagens.
O assunto voltou a chamar atenção em 2026 com a chegada da linha Black Edition, da empresa de customização Caviar. A coleção inclui versões do iPhone 18 Pro e do iPhone 18 Pro Max em que as câmeras traseiras são retiradas e a frontal é desativada. O espaço originalmente ocupado pelo conjunto fotográfico recebe uma nova estrutura, deixando a traseira praticamente plana. A empresa também oferece uma versão sem câmera do iPhone Duo, primeiro modelo dobrável da Apple.
Para que serve um iPhone sem câmera?
A principal utilidade não está no consumidor comum, mas em locais que precisam controlar a circulação de imagens. Instalações militares, áreas de pesquisa, plantas industriais, laboratórios e estruturas governamentais podem restringir celulares com câmeras para evitar registros de equipamentos, documentos, processos produtivos ou outras informações consideradas sensíveis.
Retirar fisicamente os módulos oferece uma garantia diferente de simplesmente bloquear o aplicativo Câmera ou colocar um adesivo sobre as lentes. O aparelho deixa de possuir o hardware necessário para fotografar ou gravar pelo conjunto traseiro, enquanto a câmera frontal também pode ser desativada.
Isso permite que o usuário continue com funções de smartphone, como chamadas, mensagens, aplicativos, internet e acesso a serviços corporativos, mas sem carregar um equipamento capaz de registrar imagens.
Há registros desse tipo de solução pelo menos desde o início da década passada. Em Singapura, operadoras chegaram a oferecer iPhones modificados para militares e funcionários de órgãos públicos, acompanhados de documentação para comprovar que as câmeras haviam sido retiradas. Os aparelhos, porém, não eram versões produzidas dessa forma pela Apple.
Quem pode comprar?
No caso das versões atuais da Caviar, não há indicação de que a compra seja restrita a militares ou funcionários de governos. Os modelos aparecem normalmente no catálogo internacional da empresa, embora sejam produtos de nicho e produzidos em séries limitadas.
O Supersonic, baseado no iPhone 18 Pro ou 18 Pro Max, é limitado a 19 unidades. O aparelho recebe estrutura de titânio preto, acabamento acetinado e perde as câmeras. O preço inicial divulgado pela Caviar é de US$ 10.770 e pode chegar a US$ 13.770, dependendo do modelo e do armazenamento escolhido.
Já o Ultimate, construído sobre o iPhone Duo, parte de US$ 13.990 e também tem produção limitada a 19 unidades. Nas configurações mais caras, o preço chega a US$ 16.490.
Como comparação, no Brasil o iPhone 18 Pro original parte de R$ 11.999, enquanto o iPhone 18 Pro Max começa em R$ 12.999. O modelo convencional mantém justamente um dos principais argumentos da geração: o sistema de câmeras de 48 MP com abertura variável.
O que se perde sem as câmeras
A consequência mais evidente é a impossibilidade de fotografar e gravar vídeos. Mas a alteração também pode afetar recursos que dependem diretamente das câmeras.
Face ID e funções que utilizam o conjunto frontal podem deixar de operar quando o hardware correspondente é removido ou desativado. Aplicativos de leitura de QR Code, digitalização de documentos, realidade aumentada e chamadas de vídeo também perdem funcionalidades.
Há ainda outra diferença importante: como a modificação não é realizada pela Apple, o aparelho deixa de ser um iPhone na configuração original de fábrica. Serviços desse tipo podem alterar as condições da garantia oficial, e o suporte passa a depender da empresa responsável pela customização.
Por que pagar mais para ter menos?
O preço não está relacionado à retirada das lentes em si. Empresas como a Caviar trabalham com customização de luxo, substituindo partes da estrutura original por materiais como titânio e produzindo séries numeradas em poucas unidades.
No Supersonic, por exemplo, a Caviar afirma utilizar titânio com revestimento PVD preto e acabamento desenvolvido para reduzir reflexos. Cada versão da coleção é limitada a 19 exemplares.
Para a maioria dos usuários, retirar as câmeras de um iPhone não oferece vantagem prática. O produto atende principalmente a um nicho em que poder continuar utilizando um smartphone dentro de uma área restrita pode ser mais importante do que fotografar.
A chegada do iPhone 18 Pro a esse mercado mostra que a prática continua existindo mesmo em uma geração na qual a própria Apple colocou a câmera entre os principais avanços do aparelho.
