Economia

Lula perdoa dívidas de MEIs, mas especialistas alertam para 3 riscos financeiros

Lula perdoa dívida de MEIs (Foto: Divulgação/Sebrae)

Lula perdoa dívidas de MEIs, mas especialistas alertam para erros financeiros que ameaçam pequenos negócios.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta quarta-feira (21) o perdão de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs). A medida pode beneficiar cerca de 3,6 milhões de empreendedores, com débitos que somam aproximadamente R$ 12,6 bilhões. Apesar do alívio financeiro, especialistas alertam que alguns hábitos podem levar os pequenos negócios a acumular novas dívidas.

Entre os principais fatores estão a falta de planejamento financeiro, a dificuldade de acesso a crédito adequado e a mistura entre as contas pessoais e empresariais. Para Luis Otávio Leal, sócio e economista-chefe da G5 Partners, a renegociação pode aliviar o problema temporariamente, mas não resolve suas causas. Segundo ele, a falta de crédito barato e de educação financeira dificulta a recuperação dos empreendedores.

Misturar o dinheiro da empresa com as despesas da família é um dos erros que comprometem o caixa. Quando o empreendedor usa o faturamento para pagar contas pessoais, pode faltar dinheiro para fornecedores, impostos e outras despesas da operação. Por isso, Antonio Maciel, planejador financeiro CFP pela Planejar, recomenda separar os recursos e calcular quanto pode ser retirado sem prejudicar o funcionamento do negócio.

Outro risco é recorrer a empréstimos caros para manter a atividade. O cheque especial, o crédito rotativo do cartão e a contratação de novos empréstimos para quitar dívidas anteriores podem aumentar o endividamento. Além disso, o empreendedor precisa acompanhar os custos, os juros e o valor total das parcelas antes de aceitar uma renegociação. Uma prestação menor nem sempre representa uma dívida mais barata.

A falta de planejamento financeiro também pode comprometer a saúde do negócio, principalmente quando as receitas variam ao longo dos meses. Maciel recomenda analisar os resultados dos últimos três a seis meses para definir uma retirada pessoal compatível com a realidade da empresa. Nos períodos de maior faturamento, reservar parte dos recursos pode ajudar a enfrentar meses de menor movimento sem recorrer a novos empréstimos.

Para evitar novas dívidas, especialistas defendem que a renegociação seja acompanhada de mudanças na gestão financeira. O empreendedor deve registrar receitas, custos, impostos e compromissos, além de monitorar o dinheiro disponível para manter a operação. A ampliação do acesso a crédito subsidiado e a busca por orientação do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) também podem contribuir para uma administração mais sustentável.

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