A Polícia Federal (PF) investiga o ex-ministro da Economia Paulo Guedes e o empresário Fábio Lino de Almeida, proprietário da empresa OnilX, por suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O inquérito foi aberto em fevereiro de 2026 e tramita sob sigilo na 9ª Vara Federal de Curitiba, no Paraná, com participação do Ministério Público Federal (MPF). As informações foram divulgadas pelo Metrópoles e pela Revista Oeste.
A investigação ocorre em meio a questionamentos sobre a atuação da OnilX, que oferece serviços relacionados a criptoativos. Segundo relatos apresentados à Justiça, investidores enfrentam dificuldades para resgatar valores aplicados em produtos da empresa, que teria prometido rendimentos de até 2,8% ao mês.
Relação de Paulo Guedes com a empresa
De acordo com a reportagem do Metrópoles, Guedes prestou consultoria à OnilX, participou de reuniões estratégicas e manteve conversas privadas com potenciais investidores. A imagem do ex-ministro também foi utilizada em materiais de divulgação da companhia.
Em uma publicação da própria empresa, Guedes apareceu ao lado de Fábio Lino e de executivos da Visa em uma reunião apresentada como estratégica. O ex-ministro também participou de eventos voltados a investidores e assessores, nos quais elogiou a atuação da companhia no mercado digital.
A relação entre Guedes e a OnilX foi mencionada em processos judiciais movidos por investidores. Em uma das ações, um casal que cobra R$ 876,5 mil da empresa afirmou que decidiu manter e ampliar os investimentos após participar de uma reunião com o ex-ministro, realizada na sede da companhia em abril. Segundo os investidores, quatro meses depois, eles tentaram recuperar os valores, mas não tiveram sucesso.
Em outro processo, uma assessora da OnilX teria mencionado a presença de Guedes na empresa ao tentar convencer um potencial cliente a investir. Conforme mensagens anexadas aos autos, ela ofereceu a possibilidade de uma reunião com o ex-ministro para discutir estratégias de investimento.
OnilX enfrenta ações judiciais e medida da CVM
A empresa também entrou na mira da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em janeiro de 2026, a autarquia determinou a suspensão de ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários pelo grupo. Em abril, manteve a medida e esclareceu que ela não abrangia a simples intermediação de criptoativos sem promessa de rendimento ou contrato de investimento.
Levantamento citado pelo Metrópoles identificou 108 ações judiciais contra o grupo entre 12 de junho e 10 de setembro. Nos processos, investidores relatam dificuldades para retirar recursos aplicados em produtos relacionados a criptomoedas e stablecoins. Alguns também levantam suspeitas de que a operação possa envolver um esquema de pirâmide financeira.
A OnilX nega irregularidades e afirma atuar regularmente no mercado de ativos virtuais.
Investigação segue sob sigilo
O inquérito foi registrado em 10 de fevereiro e teve movimentações em setembro e outubro, incluindo diligências e intimações. Paulo Guedes e Fábio Lino são representados pelos advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso.
Procurada pelo Metrópoles, a defesa não respondeu aos contatos da reportagem.
