O deputado federal André Janones (Rede-MG) afirmou neste domingo (1º) que não pretende assumir nenhum ministério no próximo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista ao Fantástico, ele disse que recusaria um eventual convite e continuará exercendo o mandato na Câmara dos Deputados.
Janones também descartou deixar a Rede para se filiar ao PT. Segundo o parlamentar, sua intenção é permanecer no Congresso e ajudar o governo na articulação de projetos considerados prioritários. A declaração ocorre em meio às especulações sobre a composição do novo ministério. O nome de Janones passou a ser citado depois do destaque que ele ganhou na estratégia digital da campanha presidencial de Lula.
Janones descarta assumir a Secom
Entre os cargos associados ao deputado estava o comando da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, a Secom. A possibilidade ganhou força após a atuação de Janones na mobilização digital do segundo turno. No entanto, o próprio parlamentar afirmou que não pretende aceitar uma função no Executivo.
Segundo ele, sua contribuição pode ser maior dentro da Câmara dos Deputados. Janones avalia que Lula precisará construir apoio no Congresso para conseguir aprovar projetos e avançar com a agenda do novo mandato. Essa posição já havia sido antecipada dias antes. Antes de um almoço com Lula no Palácio da Alvorada, em 29 de outubro, Janones afirmou que poderia ajudar mais o presidente permanecendo como deputado.
Deputado diz que pode ajudar mais no Congresso
Janones argumenta que o próximo governo enfrentará um cenário de negociações constantes no Legislativo. Por isso, considera mais útil participar diretamente das articulações na Câmara. A avaliação também leva em conta a composição do Congresso eleito em 2026. O governo precisará negociar com diferentes partidos para formar maioria em votações consideradas estratégicas.
Para Janones, permanecer no Parlamento significa ter atuação direta nesse processo. Ele pretende ajudar na defesa de propostas do governo e na mobilização de apoio entre deputados. Além disso, o parlamentar seguirá com mandato próprio e com autonomia partidária, já que pretende continuar filiado à Rede.
Destaque na campanha digital de Lula
Janones ganhou espaço durante a eleição presidencial principalmente pela atuação nas redes sociais. Ele coordenou o canal “Exército do Lula”, criado no WhatsApp para organizar apoiadores e ampliar a circulação de conteúdos da campanha.
O canal ultrapassou 10 milhões de seguidores durante o segundo turno. A estratégia envolveu compartilhamento de vídeos, mobilização de eleitores e divulgação coordenada de mensagens. Especialistas ouvidos pelo Terra avaliaram que a campanha digital teve papel importante na disputa, embora não seja possível atribuir a vitória de Lula apenas às redes sociais.
Outros fatores, como mobilização nas ruas e redução da abstenção, também contribuíram para o resultado. O desempenho de Janones nesse ambiente fez com que seu nome passasse a ser lembrado para funções ligadas à comunicação do governo.
‘Exército do Lula’ deve continuar ativo
Mesmo fora do ministério, Janones pretende manter a estrutura digital criada durante a campanha. O deputado estabeleceu como meta ampliar o número de participantes do “Exército do Lula” para 13 milhões até a posse presidencial. O número faz referência ao 13, usado pelo PT nas eleições.
A intenção é manter a rede de apoiadores funcionando além do período eleitoral. Dessa forma, o grupo pode continuar sendo usado para divulgar ações do governo e mobilizar simpatizantes. A estratégia também reforça o papel que Janones pretende exercer fora do Executivo. Ele deverá combinar atuação parlamentar com presença nas redes sociais.
Nome de Janones havia entrado nas especulações para o governo
Depois da eleição, Janones apareceu entre os nomes cotados para integrar a nova equipe de Lula. Reportagens sobre a formação ministerial indicaram que o presidente avalia mudanças em diferentes áreas e pretende acomodar aliados, quadros técnicos e nomes que ganharam projeção durante a campanha.
Janones chegou a ser citado nesse contexto por causa de sua atuação digital. No entanto, antes mesmo de qualquer anúncio oficial, decidiu publicamente afastar a possibilidade. Com isso, o deputado tenta encerrar as especulações sobre uma eventual ida para o Executivo.
O parlamentar também afirmou que não pretende mudar de partido. Apesar da aproximação com Lula e da participação direta na campanha petista, Janones disse que permanecerá na Rede. A decisão preserva sua atual posição partidária e reforça a estratégia de manter atuação independente dentro da base que deverá apoiar o novo governo. Assim, Janones seguirá no Congresso, continuará ligado à mobilização digital criada durante a eleição e pretende atuar como um dos articuladores das pautas do governo na Câmara.
