As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos indicam uma mudança significativa no equilíbrio de forças em Washington. O Partido Democrata avançou nas disputas pelo Senado e pela Câmara dos Representantes, colocando em risco o controle republicano das duas Casas do Congresso durante os dois últimos anos do governo de Donald Trump.
Na disputa pelo Senado, os democratas conseguiram virar quatro cadeiras que pertenciam aos republicanos, incluindo vitórias importantes no Texas, na Carolina do Sul e em Ohio. A legenda também manteve assentos considerados fundamentais, como os da Geórgia e de New Hampshire.
Na Câmara, os resultados igualmente favoreceram a oposição. Os democratas derrotaram ao menos seis candidatos republicanos e conquistaram cadeiras em disputa, aproximando-se do ganho líquido necessário para assumir a maioria. A Associated Press apontou que o partido estava prestes a controlar as duas Casas.
Vitórias democratas mudam cenário no Senado
A disputa pelo Senado era considerada uma das mais difíceis para os democratas. Antes da votação, os republicanos tinham 53 das 100 cadeiras, enquanto a oposição precisava conquistar quatro assentos líquidos para alcançar a maioria.
O avanço democrata ocorreu em estados que haviam apoiado Trump na eleição presidencial de 2024. Entre os resultados de maior repercussão estão as vitórias de candidatos democratas no Texas, na Carolina do Sul e em Ohio.
A eleição também garantiu a manutenção de cadeiras importantes para a oposição. Em New Hampshire, o deputado Chris Pappas venceu o republicano John Sununu, segundo projeção da Associated Press. Com isso, tornou-se o primeiro homem abertamente gay eleito para o Senado americano.
Na Carolina do Norte, Roy Cooper também conquistou uma cadeira que estava nas mãos dos republicanos. O resultado reforçou a ofensiva democrata em estados nos quais Trump havia obtido vantagem na eleição presidencial.
A nova composição do Senado, caso confirmada pelas projeções, dará aos democratas poder para controlar a pauta da Casa e influenciar a tramitação de projetos e indicações presidenciais.
Câmara também registra avanço da oposição
Na Câmara dos Representantes, todas as 435 cadeiras estavam em disputa. Os republicanos começaram a eleição com uma maioria estreita, e os democratas precisavam obter um saldo positivo de pelo menos três assentos para assumir o controle.
Os resultados preliminares mostraram a oposição vencendo disputas em distritos republicanos e conquistando cadeiras abertas. A movimentação deixou o partido próximo da maioria, em uma noite eleitoral marcada por resultados desfavoráveis à legenda de Trump.
O controle da Câmara é particularmente importante porque permite à maioria definir a liderança da Casa, organizar comissões e conduzir investigações parlamentares sobre o governo federal.
Economia e guerra com o Irã pesaram na campanha
O custo de vida foi um dos principais temas da campanha. A inflação, o preço dos combustíveis e a insatisfação com a situação econômica apareceram entre as preocupações mais relevantes dos eleitores.
A guerra contra o Irã também teve peso no debate eleitoral. A decisão de Trump de atacar o país, em fevereiro, e os reflexos do conflito sobre os preços contribuíram para ampliar a pressão sobre os candidatos republicanos.
O presidente participou ativamente da campanha, realizando mais de 20 comícios desde o início de outubro para mobilizar sua base e tentar preservar a maioria parlamentar. Mesmo sem disputar um cargo, Trump transformou a votação em uma avaliação de seu governo.
A popularidade do republicano, próxima de seus níveis mais baixos, tornou-se um obstáculo para os candidatos de seu partido. Pesquisas indicavam insatisfação com a condução da economia e com a política externa da Casa Branca.
O que muda para Trump com um Congresso democrata
A eventual perda das duas Casas representa uma dificuldade política relevante para o presidente. Com os democratas no comando da Câmara e do Senado, a administração terá de negociar com uma oposição mais forte para avançar com sua agenda legislativa.
Na Câmara, os democratas poderão ampliar a fiscalização do Executivo e abrir investigações parlamentares. No Senado, a maioria poderá dificultar a aprovação de indicações presidenciais para cargos importantes, além de influenciar a tramitação de projetos.
A oposição também poderá usar o controle das comissões para investigar decisões e medidas do governo. A mudança no Congresso, portanto, tende a aumentar o desgaste político de Trump na reta final de seu mandato.
Problemas técnicos atrasaram a divulgação dos resultados
A votação foi marcada por falhas em equipamentos de leitura de cédulas de papel em diferentes localidades, incluindo condados da Geórgia, de Iowa, do Mississippi e de Nova York.
As ocorrências provocaram atrasos em algumas etapas da votação e da apuração. Especialistas eleitorais, porém, ressaltaram que falhas isoladas não costumam comprometer o resultado geral, devido à existência de sistemas de reserva e outros mecanismos de segurança.
A contagem nos Estados Unidos é descentralizada e depende das autoridades eleitorais de cada estado. Por isso, mesmo com projeções indicando uma mudança no controle do Congresso, a consolidação oficial dos resultados ocorre de maneira gradual.
