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Dólar fecha no maior valor de 2026 com receio sobre rumos da política econômica

Moeda americana sobe 0,79% e termina o pregão cotada a R$ 5,4871; investidores demonstram preocupação com propostas para alterar a condução dos juros e com a situação fiscal brasileira

Foto: Gerada com auxílio de IA

O mercado financeiro brasileiro voltou a registrar um dia de pressão sobre o real nesta terça-feira (3). O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,79%, negociado a R$ 5,4871, alcançando o maior patamar de fechamento de 2026 e o nível mais elevado desde 30 de dezembro de 2025.

A valorização da moeda americana reflete a cautela dos investidores diante das incertezas sobre a política econômica do próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre os fatores que alimentaram a preocupação está a proposta do economista André Lara Resende de modificar a relação entre as políticas fiscal e monetária, com uma redução mais acentuada da taxa básica de juros.

O euro também avançou durante o pregão. A moeda europeia fechou em alta de 0,98%, cotada a R$ 6,1401.

Proposta para reduzir a Selic preocupa investidores

A discussão sobre uma possível mudança na condução dos juros ganhou força no mercado financeiro nos últimos dias. Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, defende que o custo elevado da dívida pública brasileira está diretamente relacionado ao nível dos juros.

O economista propõe uma coordenação entre as políticas fiscal e monetária, com a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional. A estrutura definiria metas conjuntas para um período de quatro a cinco anos.

Entre as medidas apresentadas está a redução gradual da Selic, atualmente em 13,75% ao ano, até aproximadamente 7,5% ao longo de 12 meses.

A possibilidade de adoção desse modelo provocou apreensão entre agentes financeiros. Parte dos investidores teme que uma redução dos juros sem medidas suficientes para diminuir os riscos fiscais e institucionais provoque saída de capital estrangeiro, desvalorização do real e aumento das pressões inflacionárias.

O próprio governo negou que exista uma reunião formalmente marcada entre Lula e Lara Resende para discutir a proposta.

Bolsa brasileira também registra perdas

A instabilidade não ficou restrita ao mercado cambial. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, recuou 1,42%, encerrando o pregão aos 165.528 pontos.

Foi a sexta queda consecutiva do indicador, que atingiu seu menor nível de fechamento desde janeiro. Durante a sessão, o índice chegou a cair mais de 2%.

Os juros futuros também avançaram, refletindo a exigência de remuneração maior por parte dos investidores para assumir riscos relacionados aos títulos brasileiros. Os contratos com vencimentos em janeiro de 2031 e janeiro de 2035 registraram altas superiores a nove pontos-base.

Esse movimento indica que o mercado passou a exigir retornos maiores para financiar o governo e se proteger diante das incertezas sobre a trajetória das contas públicas.

Reeleição de Lula amplia preocupação fiscal

A reação dos investidores ocorre após a reeleição de Lula para um quarto mandato presidencial. O resultado eleitoral intensificou as discussões sobre a capacidade do governo de equilibrar as contas públicas e controlar o crescimento da dívida.

Na semana anterior, os ativos brasileiros já haviam registrado perdas expressivas. O dólar acumulou valorização de 9,18% no período, enquanto a Bolsa sofreu uma queda semanal de 17,5%.

A dívida bruta do país, por sua vez, alcançou 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo os dados citados na cobertura econômica do período.

A combinação de incertezas fiscais, perspectivas para os juros e dúvidas sobre a condução da política econômica aumentou a percepção de risco associada aos investimentos no Brasil.

Eleições americanas também entram no radar

Além do cenário doméstico, investidores acompanharam as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos. A votação para renovar todas as cadeiras da Câmara dos Representantes e parte do Senado despertou atenção por seus possíveis efeitos sobre a política econômica e comercial americana.

Uma eventual mudança no controle do Congresso poderia limitar a agenda do presidente Donald Trump e abrir espaço para maior fiscalização das decisões da Casa Branca.

O resultado também era observado por investidores brasileiros diante das incertezas envolvendo as relações comerciais entre os dois países e a política tarifária americana.

Com a combinação de fatores internos e externos, o mercado encerrou a terça-feira em um ambiente de maior aversão ao risco, com dólar em seu nível mais alto de fechamento no ano e perdas expressivas na Bolsa.

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