O governo da França anunciou a adoção de toques de recolher parciais em diferentes cidades do país a partir desta segunda-feira (19), após um fim de semana marcado por protestos, incêndios e depredações. A medida foi determinada pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu com o objetivo de conter novos episódios de violência e proteger estabelecimentos comerciais e prédios públicos. As manifestações começaram com reivindicações relacionadas ao custo de vida e às condições dos serviços públicos, mas foram acompanhadas por confrontos entre grupos de manifestantes e forças de segurança.
Cidades adotam restrições de circulação
Entre as primeiras localidades a anunciar restrições estão Lille, Douai, Wattignies e Denain, no norte da França. Nessas cidades, o toque de recolher foi estabelecido entre as 20h e as 6h, inicialmente para as noites de segunda e terça-feira. Em Paris, também foram anunciadas restrições de circulação e de manifestações em áreas consideradas sensíveis.
O governo informou que as medidas serão parciais e aplicadas de acordo com a situação de cada região. A lista de localidades afetadas deverá ser definida em conjunto com as autoridades municipais e administrativas. Lecornu afirmou que pediu aos representantes do governo nos departamentos que adotassem as restrições para evitar novos saques e proteger os comerciantes atingidos pelos distúrbios.
Protestos deixam lojas e prédios públicos destruídos
Os episódios de violência se intensificaram durante o fim de semana, quando manifestações foram realizadas em diversas cidades francesas. Em Paris, Lyon e Marselha, grupos incendiaram objetos nas ruas, saquearam estabelecimentos e danificaram prédios públicos. Em Limoges, a prefeitura foi incendiada durante os confrontos.
Segundo estimativas divulgadas pelas autoridades na segunda-feira, cerca de 3 mil estabelecimentos comerciais foram danificados ou saqueados durante a onda de violência. O balanço também apontou milhares de detenções desde o início das mobilizações e centenas de policiais feridos.
As manifestações reuniram entre 550 mil e 800 mil pessoas em aproximadamente 110 atos, segundo números apresentados pelo governo e pelos organizadores. Embora a maior parte dos participantes tenha protestado pacificamente, os confrontos e os saques registrados em algumas localidades aumentaram a pressão sobre as autoridades para reforçar a segurança.
Governo descarta estado de emergência por enquanto
Diante da situação, Lecornu afirmou que os toques de recolher são, neste momento, uma resposta mais adequada do que a decretação de estado de emergência. O primeiro-ministro, no entanto, não descartou recorrer à medida caso os distúrbios continuem.
O presidente francês, Emmanuel Macron, reconheceu falhas na gestão policial dos episódios e pediu mudanças na atuação das forças de segurança para impedir novos confrontos. O governo também anunciou medidas de apoio aos comerciantes prejudicados, incluindo mecanismos para ajudar empresas a preservar empregos durante a recuperação dos estabelecimentos.
Mobilização deve continuar
Apesar das medidas anunciadas, grupos ligados aos protestos já convocaram novas manifestações para os próximos dias. As mobilizações reúnem estudantes, sindicatos e participantes de movimentos sociais que criticam o aumento do custo de vida, os salários e as condições dos serviços públicos.
O governo tenta conter os episódios de violência sem impedir as manifestações pacíficas. A continuidade dos protestos e a aplicação das restrições deverão definir os próximos passos das autoridades francesas diante da crise.
