Política

Erika Hilton protocola pedido de CPI para investigar big techs nas eleições

Deputada Erika Hilton (Psol-SP) Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Erika Hilton pede CPI para investigar big techs nas eleições e busca 171 assinaturas após falhas reconhecidas pela Meta durante a campanha

Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) protocolou neste sábado (17) um requerimento para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a atuação das big techs nas eleições de 2026. A parlamentar também iniciou a coleta das 171 assinaturas necessárias para que o pedido avance na Câmara dos Deputados.

A iniciativa ocorre após a Meta, controladora de Facebook, Instagram e WhatsApp, reconhecer problemas técnicos que afetaram ferramentas usadas durante a campanha eleitoral. A empresa, porém, negou qualquer interferência política deliberada e afirmou que falhas também atingiram o candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Erika afirmou nas redes sociais que pretende investigar possíveis abusos cometidos pelas plataformas. Ela também levantou a suspeita de interferência de empresários estrangeiros no processo eleitoral. Até o momento, entretanto, não há conclusão oficial que comprove atuação deliberada das empresas para favorecer ou prejudicar uma candidatura.

CPI precisa de 171 assinaturas para avançar

Para que uma CPI seja criada na Câmara, o requerimento precisa reunir o apoio de pelo menos um terço dos deputados federais, o equivalente a 171 assinaturas. Erika informou que começou a buscar o número necessário logo após protocolar o pedido.

Segundo a parlamentar, a investigação deveria ocorrer independentemente do resultado das urnas. A intenção seria analisar como as plataformas digitais atuaram durante a campanha e se houve problemas capazes de afetar a circulação de conteúdo eleitoral.

Mesmo com as assinaturas necessárias, a instalação de uma CPI ainda depende de procedimentos internos da Câmara. Depois disso, os deputados podem definir integrantes, plano de trabalho, convocações e documentos que serão solicitados durante a investigação.

Meta reconheceu falhas, mas negou interferência

Na sexta-feira (16), a Meta admitiu que falhas técnicas afetaram ferramentas utilizadas durante a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A empresa afirmou, porém, que os problemas foram corrigidos e não decorreram de qualquer preferência política.

A companhia também declarou que Flávio Bolsonaro relatou dificuldades semelhantes. Com isso, a Meta rejeitou a interpretação de que teria atuado de forma deliberada para beneficiar ou prejudicar um dos candidatos.

A discussão sobre o funcionamento das plataformas ganhou força em meio à reta final da eleição presidencial. Por isso, o pedido de CPI busca ampliar a apuração sobre critérios de moderação, distribuição de conteúdo e uso de ferramentas digitais durante a campanha.

Erika fala em possível interferência estrangeira

Em publicação nas redes sociais, Erika afirmou que acompanha o que classifica como abusos cometidos por empresas de tecnologia. A deputada também disse ver indícios de interferência de bilionários estrangeiros nas eleições brasileiras.

A afirmação, no entanto, representa uma avaliação da parlamentar e ainda não foi comprovada por investigação oficial. A eventual CPI teria justamente a função de reunir documentos, ouvir representantes das empresas e verificar se houve irregularidades.

Além disso, a comissão poderia analisar a relação entre decisões tomadas pelas plataformas e o alcance de conteúdos políticos. Esse tipo de investigação também pode incluir publicidade eleitoral, regras de moderação e uso de inteligência artificial.

Governo já acionou órgãos para apurar práticas da Meta

O Ministério da Justiça e Segurança Pública já acionou a Agência Nacional de Proteção de Dados e o Ministério Público Federal para apurar possíveis irregularidades relacionadas às práticas de moderação da Meta.

Essas apurações caminham de forma independente do pedido apresentado por Erika Hilton. Caso a CPI seja instalada, o Congresso poderá abrir uma frente própria de investigação e solicitar informações adicionais às empresas e aos órgãos envolvidos.

Por enquanto, o requerimento ainda depende da coleta das assinaturas necessárias. Assim, a criação efetiva da comissão ainda não está garantida.

Debate sobre big techs ganha força na reta final da eleição

A discussão ocorre a poucos dias do 2º turno da eleição presidencial. Nesse período, o papel das plataformas digitais voltou ao centro do debate sobre alcance de conteúdo, publicidade política e responsabilidade das empresas de tecnologia.

A CPI proposta por Erika pretende investigar justamente se os problemas registrados durante a campanha ficaram restritos a falhas técnicas ou se houve práticas que precisam de responsabilização.

Até que uma investigação produza conclusões, porém, não há comprovação de interferência deliberada das big techs no resultado eleitoral. O pedido da deputada abre agora uma disputa política e institucional para saber se a Câmara dará andamento à investigação.

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