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Flávio Bolsonaro é alvo de segundo inquérito no STF por suspeita de lavagem de dinheiro

Flávio Bolsonaro afirma que pretende mudar a Constituição caso seja eleito e destaca avanço da direita no Congresso após as eleições de 2026.

Flávio Bolsonaro é alvo de segundo inquérito no STF por suspeita de lavagem de dinheiro; PF apura relação com Willer Tomaz

Imagem: Agência Senado/ Jefferson Rudy/

A Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal um segundo inquérito que envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República. Desta vez, a investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro ligadas à relação do parlamentar com o advogado Willer Tomaz.

O caso ficou sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Segundo as informações da apuração, a investigação surgiu a partir de uma ofensiva da PF no Rio Grande do Sul, que analisava possíveis irregularidades envolvendo plataformas de pagamento digital e empresas do setor de apostas.

Ao longo das diligências, os investigadores encontraram indícios que apontariam uma proximidade entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz. Apesar disso, a abertura do inquérito não significa condenação. Neste momento, a apuração busca esclarecer se houve ou não prática de crime.

Investigação começou em apuração sobre apostas

Inicialmente, a Polícia Federal investigava movimentações suspeitas ligadas a plataformas financeiras e ao mercado de apostas. No decorrer desse trabalho, porém, os investigadores identificaram possíveis conexões de Willer Tomaz com a empresa Rede Loto, que atua nesse segmento.

Além disso, a análise de dados extraídos da nuvem associada ao celular do advogado revelou materiais que chamaram a atenção da PF. Entre eles, havia registros de encontros, festas, reuniões e também documentos pessoais de Flávio Bolsonaro.

Por causa desses elementos, a investigação avançou para examinar com mais profundidade a relação entre os dois. Assim, a PF passou a verificar se esses vínculos tinham apenas caráter pessoal ou profissional, ou se poderiam estar ligados a movimentações financeiras irregulares.

Dessa forma, o novo inquérito tenta reconstruir o contexto dessas relações e entender se houve participação do senador em operações suspeitas.

PF analisa movimentação de R$ 130 milhões

Um dos principais focos da investigação envolve uma conta bancária vinculada a Willer Tomaz. De acordo com a Polícia Federal, essa conta movimentou cerca de R$ 130 milhões entre março e maio de 2025.

Agora, os investigadores querem identificar com clareza a origem e o destino desses recursos. Ou seja, a apuração tenta descobrir se o volume financeiro tem justificativa legal ou se esconde operações de lavagem de dinheiro.

Além disso, a PF também analisa informações sobre pagamentos de viagens relacionadas a Flávio Bolsonaro. Outro ponto que entrou no radar da investigação envolve uma conta ligada à empresa Alcazar Holding.

Segundo os investigadores, Flávio apareceria como “usuário master” dessa conta. Por isso, a Polícia Federal quer entender qual era exatamente o vínculo do senador com a estrutura financeira analisada.

Relação com advogado está no centro do caso

A relação entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz se tornou um dos eixos centrais do novo inquérito. Isso porque os materiais coletados pela PF sugerem uma convivência próxima entre os dois.

Os investigadores, no entanto, ainda precisam cruzar esses dados com as informações bancárias e documentais já reunidas. Somente depois dessa etapa será possível avaliar se há elementos suficientes para apontar alguma irregularidade.

Enquanto isso, a Polícia Federal também considera importante entender o papel de cada um dentro das movimentações analisadas. Em outras palavras, a apuração tenta saber se havia apenas contato pessoal ou se existia algum elo operacional ou financeiro.

Portanto, o foco agora está em aprofundar a análise dos documentos, rastrear os fluxos de dinheiro e checar a consistência das informações obtidas.

Willer Tomaz já apareceu em outra investigação

Willer Tomaz já havia surgido em outra apuração da Polícia Federal. Em agosto, por exemplo, ele foi alvo de busca e apreensão na Operação Sem Desconto, que investiga suspeitas de fraudes relacionadas a descontos indevidos em benefícios do INSS.

Naquele caso, a investigação apurava possíveis operações de lavagem de dinheiro e ocultação de recursos. Ainda assim, Flávio Bolsonaro não era alvo direto daquela ofensiva.

Agora, porém, o nome do senador aparece em um novo procedimento que examina justamente sua relação com o advogado. Por isso, a PF decidiu aprofundar a análise e encaminhar o caso ao STF.

Vale lembrar que investigações em andamento não representam culpa formada. Mesmo assim, o surgimento de novos elementos levou os investigadores a abrir essa frente de apuração.

Novo inquérito se soma ao caso Dark Horse

Esse novo procedimento se soma a outro inquérito já em andamento no Supremo Tribunal Federal. Nesse outro caso, a Polícia Federal investiga o financiamento do filme Dark Horse, produção ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na apuração anterior, os investigadores analisam suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção envolvendo recursos associados ao banqueiro Daniel Vorcaro. Flávio Bolsonaro nega irregularidades nesse caso.

Agora, com a abertura de um segundo inquérito, o cenário jurídico do senador ganha mais um capítulo. Ainda assim, cada investigação segue um caminho próprio e analisa fatos diferentes.

Até a publicação das informações disponíveis, as defesas de Flávio Bolsonaro e de Willer Tomaz ainda não haviam se manifestado sobre o novo caso.

Caso ficará com Alexandre de Moraes

O inquérito foi distribuído ao ministro Alexandre de Moraes, que ficará responsável por analisar os desdobramentos do caso no STF. A partir de agora, pedidos da Polícia Federal e manifestações da Procuradoria-Geral da República devem passar pela relatoria do magistrado.

Além disso, o novo procedimento chega em meio à disputa eleitoral, já que Flávio Bolsonaro concorre à Presidência no segundo turno. Mesmo assim, o caráter eleitoral não altera o rito jurídico do inquérito.

Na prática, o caso seguirá as etapas normais de investigação. Primeiro, a PF reúne provas e detalha os indícios. Depois, a Procuradoria poderá se manifestar, e o Supremo decidirá sobre eventuais medidas.

Portanto, o processo ainda está em fase inicial. Até que haja conclusão formal, o caso deve ser tratado como investigação em andamento, sem antecipação de culpa.

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