Política

Flávio Bolsonaro promete manter fim da escala 6×1 e descarta reeleição

Flávio Bolsonaro (Foto: Globo/Manoella Mello)

Em entrevista à Globo, Flávio Bolsonaro falou sobre ajuste fiscal, segurança pública, armas e a participação da família em eventual governo

Foto: Globo/ Manoella Mello

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, afirmou nesta sexta-feira (16) que pretende manter o fim da escala 6×1 caso seja eleito. Em entrevista à jornalista Renata Lo Prete, na TV Globo, ele também disse que não pretende disputar a reeleição e descartou, neste momento, oferecer um cargo ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Durante a conversa, Flávio respondeu sobre economia, segurança pública, Judiciário, acesso a armas e Forças Armadas. Além disso, comentou investigações envolvendo aliados no Rio de Janeiro, falou sobre o caso Master e apresentou propostas para a saúde.

A entrevista integra a cobertura do 2º turno das eleições presidenciais de 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, participou da mesma série na quinta-feira (15). Os dois ainda devem se encontrar no debate da Globo marcado para 23 de outubro.

Flávio promete manter o fim da escala 6×1

Flávio afirmou que mudou de posição sobre o fim da escala 6×1 depois de conversar com trabalhadores durante a campanha. Segundo o candidato, a maioria das pessoas que encontrou nas viagens pelo país demonstrou apoio à mudança aprovada pelo Congresso.

Antes da votação, o senador havia criticado a proposta e classificado a discussão como eleitoreira. No entanto, posteriormente declarou voto favorável ao texto. Durante a entrevista, afirmou que essa mudança ocorreu depois de ouvir a opinião dos trabalhadores.

Flávio também negou que pretenda tentar reverter a medida caso vença a eleição. Segundo ele, o Congresso já tomou uma decisão sobre o tema e, por isso, seu eventual governo não atuaria para desfazer a mudança.

O candidato também respondeu sobre propostas de aliados que previam redução proporcional dos salários conforme a diminuição das horas trabalhadas. Flávio afirmou que não pretende retomar essa discussão para alterar a regra aprovada.

Candidato fala em cortar ministérios e buscar novas receitas

Na área econômica, Flávio afirmou que pretende promover um ajuste nas contas públicas sem alterar regras de reajuste do salário mínimo. Ele também disse que manteria a vinculação usada para corrigir aposentadorias e os pisos constitucionais destinados à saúde e à educação.

Para reduzir despesas, o candidato prometeu cortar pelo menos dez ministérios. Além disso, afirmou que pretende revisar gastos públicos e combater o que classifica como desperdício, corrupção e má gestão em empresas estatais. Flávio também apresentou alternativas para aumentar a arrecadação sem elevar impostos. Entre elas, citou créditos que a União tem a receber, imóveis públicos e receitas relacionadas aos royalties do petróleo.

Segundo o candidato, parte dessas dívidas poderia passar por operações financeiras capazes de antecipar recursos para o governo. No entanto, os valores mencionados durante a entrevista representam estimativas apresentadas por Flávio e dependeriam de medidas específicas para se concretizar.

Flávio Bolsonaro diz que não quer disputar a reeleição

Outro tema da entrevista foi a duração de um eventual governo. Flávio afirmou que pretende exercer apenas um mandato e disse que não quer iniciar uma gestão pensando desde o primeiro dia em uma nova eleição. O candidato já defendeu anteriormente o fim da reeleição para presidente da República.

Além disso, mencionou uma proposta que poderia ampliar os mandatos do Executivo de quatro para cinco anos. Segundo Flávio, qualquer mudança dependeria do processo legislativo e da aprovação do Congresso. Ele também defendeu que o fim da reeleição alcance governadores e outros cargos do Poder Executivo.

Ao falar sobre sucessão, o candidato afirmou que não apoiaria uma alteração que permitisse a parentes próximos concorrer imediatamente depois dele. Assim, disse que pretende manter restrições para familiares até o terceiro grau.

Jair Bolsonaro não está nos planos para cargo no governo

Flávio também respondeu sobre uma possível participação de Jair Bolsonaro em seu governo. Segundo o candidato, o ex-presidente nunca pediu um cargo nem manifestou interesse em integrar formalmente uma eventual administração do filho.

O senador afirmou que poderia procurar o pai para pedir conselhos por causa da experiência dele na Presidência. No entanto, disse que uma nomeação para algum ministério ou outra função pública “não está no radar”. A situação do irmão Eduardo Bolsonaro também entrou na entrevista.

Flávio descartou a possibilidade de escolhê-lo para comandar o Ministério das Relações Exteriores em uma eventual gestão. Ao mesmo tempo, o candidato defendeu o irmão ao comentar sua situação jurídica. Eduardo foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal, e Flávio voltou a contestar a condução do caso.

Reforma do Judiciário e críticas a Alexandre de Moraes

Flávio defendeu uma reforma no Judiciário e afirmou que mudanças seriam necessárias para recuperar a confiança da população nas instituições. Durante a entrevista, direcionou críticas principalmente ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

O candidato acusou Moraes de agir politicamente contra adversários e voltou a defender seu impeachment. Essas declarações representam a posição de Flávio sobre a atuação do ministro e não constituem, por si só, comprovação de irregularidade.

Renata Lo Prete também questionou o candidato sobre suspeitas envolvendo outros magistrados no caso Master. Entre os nomes citados estava o ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao STF durante o governo de Jair Bolsonaro.

Flávio afirmou que qualquer autoridade deve passar por investigação quando existirem elementos que justifiquem uma apuração. Segundo ele, a regra precisa valer independentemente da origem da indicação do ministro.

Caso Master também entrou na entrevista

A relação de Flávio com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, também ocupou parte da conversa. A jornalista perguntou sobre valores relacionados ao financiamento de uma produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro.

Flávio afirmou que o contrato inicialmente previsto não foi cumprido integralmente. Segundo ele, recursos de Vorcaro e de outros investidores permitiram concluir o projeto. O candidato também respondeu sobre valores enviados a um fundo nos Estados Unidos.

Flávio Bolsonaro afirmou que a produtora responsável prestou contas dos gastos e negou qualquer contrapartida política ligada ao investimento. As declarações representam a versão apresentada por Flávio durante a entrevista. Questionamentos sobre os recursos e as relações envolvendo o caso Master continuam sujeitos às apurações pertinentes.

Flávio comenta investigação de aliados no Rio

A entrevista abordou ainda investigações envolvendo políticos aliados de Flávio no Rio de Janeiro. Entre os nomes mencionados estavam autoridades e ex-autoridades que mantiveram proximidade política com o candidato. Flávio disse que recebeu as notícias com surpresa. Ao mesmo tempo, afirmou que os investigados têm direito à defesa e devem apresentar esclarecimentos às autoridades responsáveis pelos casos.

No entanto, o candidato ressaltou que eventuais crimes precisam receber punição. Segundo ele, proximidade política ou alianças eleitorais não podem servir para proteger pessoas caso as investigações comprovem irregularidades.

Assim, Flávio buscou separar a relação política que manteve com essas figuras das acusações apresentadas contra elas. Os casos seguem sujeitos às respectivas investigações e decisões judiciais.

Candidato diz que respeitará resultado das urnas

Renata Lo Prete também perguntou se Flávio reconhecerá o resultado das eleições independentemente do vencedor. O candidato respondeu que respeitará a apuração feita conforme as regras atuais. Em seguida, afirmou acreditar que o eleitorado escolherá uma mudança na Presidência. Essa declaração representa uma expectativa de campanha e não permite antecipar o resultado do 2º turno.

A pergunta ganhou relevância diante das discussões recentes sobre confiança no processo eleitoral. Por isso, a resposta de Flávio também integrou o bloco dedicado ao funcionamento das instituições democráticas. O 2º turno está marcado para 25 de outubro. Até lá, Lula e Flávio seguem com agendas, entrevistas e compromissos de campanha.

Atos de 8 de Janeiro também foram discutidos

Os atos de 8 de janeiro de 2023 entraram na entrevista quando Lo Prete perguntou sobre a responsabilização das pessoas envolvidas nas invasões e depredações das sedes dos Três Poderes. Flávio afirmou que quem destruiu patrimônio público ou agrediu policiais deve responder pelos crimes cometidos. Segundo ele, as punições precisam respeitar a lei e considerar a participação individual de cada pessoa.

No entanto, o candidato contestou a classificação dos acontecimentos como tentativa de golpe de Estado. Com isso, apresentou uma interpretação diferente daquela adotada em decisões judiciais sobre os episódios. Flávio também questionou punições que considera desproporcionais. Ainda assim, reconheceu que invasões, depredações e agressões contra agentes de segurança não podem ser justificadas.

Segurança pública e acesso a armas

Na área de segurança, Flávio voltou a defender o direito à posse e ao acesso legal a armas para cidadãos que cumpram os requisitos previstos na legislação. Ele também criticou estudos que associam o aumento da circulação de armas a índices maiores de violência.

Questionado sobre propostas que poderiam dificultar o rastreamento de munições, o candidato não apresentou detalhes sobre eventuais benefícios da mudança. Em seguida, concentrou sua resposta na defesa das políticas de acesso a armas adotadas durante o governo Jair Bolsonaro.

Flávio também afirmou que pretende ampliar a participação federal no combate ao narcotráfico. Entre as medidas citadas estão maior atuação nas fronteiras e cooperação entre Forças Armadas e forças estaduais de segurança.

Além disso, o candidato mencionou a participação do Brasil no chamado Escudo das Américas. A implementação dessas propostas dependeria de acordos, definição jurídica e planejamento operacional.

Flávio nega interferência de Jair Bolsonaro na PF

Outro assunto foi a relação entre Jair Bolsonaro e a Polícia Federal durante seu mandato. Flávio negou que o pai tenha trocado dirigentes da instituição com o objetivo de proteger integrantes da própria família. Segundo o candidato, mudanças realizadas na superintendência da PF no Rio de Janeiro tiveram relação com resultados administrativos.

Ele afirmou que Jair Bolsonaro buscava uma gestão que apresentasse desempenho considerado melhor. Lo Prete também citou a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça. Flávio respondeu que Moro deixou o governo por decisão própria e destacou que os dois lados voltaram a se aproximar politicamente.

O candidato mencionou a eleição de Moro no Paraná e tratou o antigo rompimento como uma questão superada. Dessa forma, buscou afastar a interpretação de que a mudança ocorreu para interferir em investigações.

Forças Armadas teriam papel no combate ao narcotráfico

Flávio afirmou que pretende aumentar a participação das Forças Armadas em ações de segurança caso seja eleito. Segundo ele, uma das prioridades seria fortalecer o combate ao narcotráfico e ampliar o controle das fronteiras. O candidato citou especificamente a fronteira com a Bolívia e defendeu maior presença do Exército e da Força Aérea Brasileira.

Além disso, afirmou que pretende reunir comandantes militares e chefes das polícias estaduais no início de um eventual governo. Durante a entrevista, Flávio também afirmou que as Forças Armadas perderam capacidade operacional nos últimos anos.

Ele prometeu ampliar investimentos e integrar militares a ações realizadas com as forças de segurança dos estados. As propostas, porém, dependeriam de definição sobre competências constitucionais e formas de cooperação. Também exigiriam recursos orçamentários e coordenação com governos estaduais.

Saúde teria foco em integração e telemedicina

Na saúde, Flávio afirmou que daria autonomia ao ministro responsável pela pasta em uma eventual emergência sanitária. A pergunta ocorreu após o candidato mencionar o médico Cláudio Lottenberg como possível integrante de seu governo.

Lottenberg, ex-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, criticou durante a pandemia decisões tomadas pelo governo de Jair Bolsonaro. Mesmo assim, Flávio afirmou que pretende olhar para o futuro e dar liberdade ao eventual ministro.

Entre as propostas citadas estão a ampliação da telemedicina e a criação de um prontuário eletrônico único. Segundo o candidato, o sistema poderia integrar informações dos serviços municipais, estaduais, federais e privados.

Além disso, Flávio sugeriu usar vagas ociosas da rede particular para reduzir filas do SUS. Nesse modelo, o governo federal poderia financiar determinados procedimentos na iniciativa privada quando houvesse capacidade disponível.

Entrevista antecede debate do 2º turno

A entrevista de Flávio ocorreu um dia depois da participação de Lula na mesma série da Globo. Na conversa de quinta-feira, o presidente abordou temas como maioridade penal, Supremo Tribunal Federal, segurança pública e dificuldades de sua gestão.

Agora, os dois candidatos seguem para os últimos compromissos da campanha. A TV Globo marcou para 23 de outubro o último debate presidencial antes do 2º turno. O encontro ocorrerá nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, e terá mediação do jornalista César Tralli. A votação acontece dois dias depois, em 25 de outubro.

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