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Lula aceita condições de Flávio Bolsonaro para abrir sigilos

Camilo Santana afirma que Lula aceita as exigências de Flávio Bolsonaro para abrir sigilos, mas cobra reciprocidade do senador no TSE.

(Foto: Paulo Pinto|Lula Marques - Agência Brasil)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aceita as condições apresentadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para a divulgação de informações sigilosas, segundo a coordenação da campanha petista. A declaração foi feita nesta quarta-feira (21) pelo senador Camilo Santana (PT), que também anunciou a apresentação de uma resposta ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na quinta-feira (22), às 11h.

Durante uma coletiva de imprensa em Brasília, Camilo afirmou que Lula não se opõe às exigências do adversário, desde que Flávio também autorize a divulgação dos dados solicitados pelo presidente.

– O presidente não se opõe a absolutamente nada do que ele está propondo, contanto que ele também cumpra e abra tudo o que estava pedindo e que o presidente protocolou no TSE -, declarou.

A discussão começou após Lula desafiar Flávio a autorizar a abertura dos respectivos sigilos bancário, fiscal e telefônico durante o debate da Band, no domingo (18). Na terça-feira (20), o presidente formalizou o pedido no TSE, incluindo informações de familiares e empresas vinculadas a ele. A proposta prevê que os dois lados disponibilizem os dados solicitados.

Entre as condições apresentadas por Flávio estão informações sobre o Instituto Lula, empresas ligadas a familiares do presidente, a agenda da primeira-dama Janja Lula da Silva e registros de voos da Força Aérea Brasileira (FAB). O senador também solicitou dados sobre encontros de Lula com o banqueiro Daniel Vorcaro e registros de acesso de pessoas ligadas ao governo federal a prédios públicos.

As exigências incluem ainda informações sobre integrantes e ex-integrantes da equipe presidencial, além de dados relacionados a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e ao irmão do presidente, José Ferreira da Silva, o Frei Chico. A lista também abrange despesas com cartões corporativos da Presidência desde janeiro de 2023 e compromissos institucionais de Janja.

Camilo questionou, porém, a exclusão da Alcazar Holdings das condições apresentadas pelo senador. A empresa, sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, aparece em apurações sobre possíveis vínculos financeiros entre Flávio e o advogado Willer Tomaz. Segundo documentos obtidos pela Polícia Federal, o senador tinha acesso a uma conta bancária relacionada à companhia. Flávio é alvo de apurações sobre possíveis irregularidades financeiras, mas nega envolvimento em práticas ilícitas.

– Então, a gente vê com muita estranheza ele tirar essa empresa que nós colocamos exatamente no requerimento do presidente -, afirmou Camilo.

O senador pediu que a imprensa cobre explicações de Flávio sobre a retirada da companhia da lista de exigências. A campanha petista considera a divulgação dos dados da empresa parte das condições para avançar com a abertura dos sigilos.

A resposta da campanha de Lula deve ser protocolada no TSE às 11h de quinta-feira (22), conforme anunciou Camilo. O prazo também marca a expectativa da equipe petista para que Flávio se manifeste sobre a abertura dos próprios dados nos termos propostos pelo presidente. A disputa ocorre a quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25).

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