Política

Trump diz que ficou fora da eleição brasileira a pedido de Lula, mas volta a questionar resultado sem apresentar provas

Trump (Foto: Reprodução)

Presidente dos EUA afirmou que conversará com Lula.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (29) que não tomou partido na eleição presidencial brasileira a pedido de Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração foi feita quatro dias depois da confirmação da reeleição do brasileiro pelo Tribunal Superior Eleitoral e ocorreu em meio à recusa de Trump em reconhecer explicitamente o resultado.

Questionado por jornalistas sobre quem havia vencido a disputa, o republicano evitou responder diretamente. Disse que pretende conversar com Lula, mas voltou a criticar o processo eleitoral brasileiro sem apresentar provas de irregularidades.

“Não quero comentar isso agora, mas achei que a eleição foi um grande constrangimento para o povo brasileiro”, afirmou Trump. Na sequência, disse que acompanhou o pleito e que teria atendido a um pedido de Lula para não interferir. “Não tomei partido. Deixei as coisas seguirem seu curso. O presidente — o atual presidente — me pediu para não tomar partido. E eu não tomei.”

A afirmação sobre o pedido de Lula ainda não havia sido confirmada pelo governo brasileiro até a última atualização das informações disponíveis.

Trump já havia questionado a eleição nos dias anteriores. Na segunda-feira (26), afirmou que o resultado “parecia fraudado”, também sem apresentar qualquer evidência. Na quarta-feira (28), voltou ao tema e classificou o processo como “muito estranho”. As declarações contrastam com o resultado oficial proclamado pela Justiça Eleitoral.

O TSE confirmou a reeleição de Lula com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%. A diferença entre os dois candidatos foi de aproximadamente 4,43 milhões de votos.

O segundo turno teve participação de 128,2 milhões de eleitores, entre mais de 158 milhões aptos a votar. A abstenção ficou em 19,2%, abaixo dos 21,08% registrados no primeiro turno. Das 499.248 urnas utilizadas, 1.551 precisaram ser substituídas, o equivalente a 0,31% do total.

Ao fazer o balanço oficial da eleição, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que o pleito transcorreu com segurança e dentro da normalidade. Nesta quarta-feira (28), após novas acusações de fraude, ele reiterou que não havia elementos que colocassem em dúvida o resultado proclamado.

A eleição teve ainda uma situação inédita no segundo turno. Uma decisão do Supremo Tribunal Federal prorrogou das 17h para as 19h o horário de votação em seções que ainda permaneciam abertas. A medida exigiu adaptações técnicas e operacionais do TSE, inclusive a suspensão temporária do recebimento de boletins de urna. Mesmo com a mudança, a Corte Eleitoral informou que a apuração ocorreu com segurança.

Flávio Bolsonaro, derrotado no segundo turno, deixou o Brasil nos dias seguintes à votação e seguiu para os Estados Unidos. Segundo a Reuters, o Departamento de Estado norte-americano informou que ele e familiares receberiam vistos de entrada no país. O senador ainda não havia reconhecido formalmente a derrota quando deixou o Brasil.

O PL, partido de Flávio, reconheceu o resultado eleitoral, embora tenha apresentado questionamentos à Justiça. O próprio Flávio divulgou uma carta na qual alegou fraude e se apresentou como “líder do Brasil”, posição que não recebeu apoio de integrantes importantes de seu próprio campo político, segundo a Reuters.

As declarações de Trump ganharam peso também pelo histórico recente do presidente norte-americano. Em eleições latino-americanas, ele adotou posições públicas favoráveis a candidatos alinhados politicamente ao governo republicano. No caso brasileiro, não houve apoio formal a Flávio durante a campanha.

A ausência de reconhecimento explícito da vitória de Lula ocorre enquanto os dois governos mantêm canais diplomáticos abertos. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, tem agenda com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, durante a reunião de chanceleres do G20, marcada para sexta-feira (30) e sábado (31), nos Estados Unidos.

Trump também enfrenta um calendário eleitoral doméstico. Os Estados Unidos realizam eleições de meio de mandato na terça-feira (3), quando serão renovadas todas as cadeiras da Câmara dos Representantes e parte do Senado. O resultado terá impacto direto na composição do Congresso durante os dois anos restantes de seu mandato.

No Brasil, a totalização do segundo turno foi concluída com Lula em primeiro lugar com 51,79% dos votos válidos e Flávio Bolsonaro com 48,21%. O TSE informou que o resultado matemático tornou-se irreversível às 21h09 do domingo (25).

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