Política

Abstenção cai ao menor nível em 20 anos no segundo turno das eleições presidenciais

Biometria eleição Brasil (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

Comparecimento às urnas cresce em relação ao primeiro turno, enquanto votos brancos e nulos atingem o menor percentual deste século

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O segundo turno das eleições presidenciais de 2026, realizado neste domingo (25), registrou uma queda histórica na abstenção eleitoral. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o percentual de eleitores que não compareceram às urnas caiu para 19,21%, o menor índice registrado em um segundo turno presidencial desde 2006. A votação também apresentou uma redução significativa dos votos brancos e nulos.

Com 99,89% das urnas apuradas, aproximadamente 30,4 milhões de brasileiros deixaram de votar. Apesar do número expressivo, o resultado representa uma redução em relação ao primeiro turno, quando 21,08% do eleitorado, cerca de 33,4 milhões de pessoas, não compareceu às seções eleitorais.

O levantamento, divulgado pela Folha de S.Paulo com base nos dados da Justiça Eleitoral, aponta que aproximadamente 3 milhões de eleitores a mais participaram da segunda etapa da votação.

Participação eleitoral contraria tendência histórica

A redução da abstenção chama atenção por contrariar o comportamento observado nas eleições presidenciais anteriores. Historicamente, o segundo turno costuma registrar uma participação menor do eleitorado em comparação com a primeira etapa da disputa.

Em 2026, entretanto, o cenário foi diferente. A taxa de abstenção recuou 1,87 ponto percentual entre os dois turnos, marcando a primeira eleição presidencial brasileira em que o índice apresentou queda nessa comparação.

A disputa presidencial ocorreu em um contexto de forte mobilização política, com os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) disputando a preferência dos eleitores.

Votos brancos e nulos também registram queda

Além do aumento no comparecimento, o segundo turno apresentou uma redução expressiva dos votos considerados inválidos.

De acordo com os dados divulgados, a soma dos votos brancos e nulos caiu de 4,77% no primeiro turno para aproximadamente 3,23% na segunda etapa, atingindo o menor percentual registrado neste século em uma eleição presidencial.

Na prática, o resultado indica que uma parcela proporcionalmente maior dos eleitores que compareceram às urnas optou por um dos candidatos.

Pela legislação eleitoral brasileira, votos brancos e nulos não entram no cálculo dos votos válidos utilizados para definir o vencedor da eleição.

Abstenção diminuiu em 18 estados

A redução da ausência de eleitores não ocorreu de maneira uniforme em todo o território nacional.

Segundo o levantamento publicado pela Folha de S.Paulo, a abstenção diminuiu em 18 unidades da Federação, enquanto outras nove registraram aumento.

A Bahia apresentou a maior redução no índice, seguida por Pernambuco e São Paulo. Em contrapartida, Amapá, Roraima e Acre registraram os maiores aumentos proporcionais de eleitores ausentes.

O comportamento regional evidencia diferenças na participação eleitoral entre os estados, mesmo diante da tendência nacional de maior comparecimento.

Segundo turno teve horário de votação ampliado

A votação deste domingo também foi marcada por dificuldades relacionadas ao transporte público em diferentes regiões do país.

Diante das ocorrências, decisões judiciais permitiram a ampliação do horário de votação até as 19h, duas horas após o encerramento inicialmente previsto.

Apesar dos problemas registrados durante o dia, o comparecimento nacional superou o observado no primeiro turno.

Os números reforçam a dimensão da participação popular no processo eleitoral brasileiro. Ainda que aproximadamente 30 milhões de cidadãos tenham deixado de votar, a redução da abstenção e dos votos inválidos marcou uma mudança significativa no comportamento do eleitorado em 2026.

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