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Ebola chega à Nigéria e Africa CDC convoca reunião de emergência com ministros da Saúde

Surto (Foto: Tânia Rêgo | Agência Brasil)

Surto iniciado na República Democrática do Congo já alcançou diferentes regiões.

Foto: Tânia Rêgo | Agência Brasil

A Nigéria confirmou seu primeiro caso de Ebola em mais de dez anos e ampliou o alcance geográfico do surto que começou em maio na República Democrática do Congo. Diante da expansão da doença pela África Central, Oriental e Ocidental, o Africa Centres for Disease Control and Prevention (Africa CDC) convocou para quarta-feira (28) uma reunião virtual extraordinária com ministros da Saúde do continente.

Segundo a Reuters, o surto já provocou 4.646 mortes desde que os primeiros casos foram confirmados no Congo. Mais de 9,5 mil casos foram registrados em oito províncias congolesas, enquanto Kenya e Nigéria passaram a confirmar infecções relacionadas ao avanço da doença para além das fronteiras do país onde começou a atual emergência sanitária.

“Ebola agora está afetando três regiões da África. A situação exige ação urgente e liderança política no mais alto nível”, afirmou Jean Kaseya, diretor-geral do Africa CDC, em declaração publicada nesta quarta-feira (21).

O Africa CDC declarou o atual surto uma Emergência de Saúde Pública de Segurança Continental em 18 de maio. Em comunicado divulgado nesta quarta-feira, a organização afirmou que o avanço territorial da doença exige reforço das medidas de resposta, maior coordenação entre os países e novo comprometimento político dos governos africanos.

Caso na Nigéria mobiliza rastreamento de contatos

A paciente identificada na Nigéria é uma mulher de Uganda que chegou a Abuja, capital do país, em 5 de outubro, após passar por Addis Ababa. Segundo informações do Centro de Controle de Doenças da Nigéria reproduzidas pela Reuters, ela começou a apresentar sintomas dois dias depois e procurou atendimento em uma unidade privada em 11 de outubro.

Inicialmente tratada para sintomas semelhantes aos da malária, a paciente não apresentou melhora. Autoridades sanitárias decidiram então realizar o teste para Ebola depois de tomarem conhecimento de seu histórico recente de viagens. A confirmação laboratorial ocorreu em 20 de outubro.

Até esta quarta-feira, 44 pessoas que tiveram contato com a paciente haviam sido identificadas pelas autoridades nigerianas, principalmente profissionais de saúde. O marido da mulher, de nacionalidade suíça, também está entre os contatos monitorados. A paciente permanece isolada e recebe atendimento médico, segundo o Ministério da Saúde da Nigéria.

A Organização Mundial da Saúde informou que está apoiando o governo nigeriano na investigação do caso, rastreamento de contatos, prevenção de infecções e fornecimento de equipamentos de proteção aos profissionais de saúde. A entidade também recomendou que os países da região mantenham sistemas de vigilância e equipes de resposta rápida em nível elevado de prontidão.

Origem da infecção ainda é investigada

O Ministério da Saúde de Uganda informou que a mulher esteve recentemente na República Democrática do Congo e afirmou que não há casos ativos de Ebola atualmente no país.

“Viajar por Uganda não estabelece que a infecção tenha ocorrido aqui”, declarou o Ministério da Saúde de Uganda, segundo a Reuters.

Uganda registrou 20 casos nos meses de maio e junho, a maioria importada do Congo, mas foi declarado livre do Ebola pela Organização Mundial da Saúde em agosto. As autoridades ainda investigam onde a paciente diagnosticada na Nigéria teve contato com o vírus.

O Kenya também registra transmissão relacionada ao surto. O primeiro caso foi confirmado no início de outubro em uma pessoa que havia viajado do Congo por Uganda. Desde então, o país chegou a nove casos confirmados, todos relacionados ao mesmo grupo inicial de transmissão.

Variante não tem vacina aprovada

O atual surto é provocado pelo vírus Bundibugyo, uma das espécies capazes de causar a doença pelo vírus Ebola. Segundo a Reuters, não existe vacina ou tratamento específico aprovado para essa variante, e cerca de metade das pessoas infectadas pode morrer.

A OMS recomenda identificação rápida dos casos, isolamento, rastreamento de contatos, preparação de laboratórios e reforço das medidas de prevenção e controle de infecção em hospitais e outras unidades de saúde. A organização também orientou os países a intensificar a vigilância em aeroportos, fronteiras terrestres e demais pontos de entrada.

A reunião extraordinária convocada pelo Africa CDC está marcada para quarta-feira (28) e reunirá ministros da Saúde de países africanos para discutir medidas coordenadas de contenção do surto.

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