O ENM Agora nasceu em outubro de 2026, no meio de uma eleição presidencial que deixou uma lição impossível de ignorar: quem não entende comunicação perde espaço político, perde narrativa e, muitas vezes, perde voto.
Luiz Inácio Lula da Silva chegou ao segundo turno atrás de Flávio Bolsonaro. A campanha estava desgastada, previsível e, principalmente, falava mal com o ambiente digital. Faltava ritmo, reação, linguagem própria e presença onde boa parte do debate político realmente acontecia.
A mudança veio quando a campanha resolveu tratar comunicação como estratégia central, e não como acessório. André Janones assumiu protagonismo, as redes ganharam velocidade, a militância passou a operar de forma mais coordenada e o discurso ficou menos burocrático.
É evidente que uma eleição presidencial não se explica apenas por comunicação. Há economia, alianças, rejeição, propostas, território, histórico político e mobilização. Mas seria ingenuidade ignorar o peso da mudança digital na reta final.
Lula percebeu isso. E reconheceu. Ao citar Janones e afirmar que a comunicação digital terá mais espaço em seu próximo governo, o presidente não fez apenas um agradecimento de campanha. Fez um diagnóstico.
O Brasil mudou a forma de consumir política. A informação circula primeiro no celular. A disputa de versões acontece em tempo real. Um candidato pode falar para milhões de pessoas sem passar por televisão, rádio ou jornal. Isso não diminui a importância da imprensa profissional. Pelo contrário: aumenta a responsabilidade de quem produz informação.
Foi exatamente nesse ambiente que o ENM Agora surgiu. Não para disputar torcida. Não para substituir jornalismo por militância.
Mas para entender que o jornalismo também precisa acompanhar a velocidade do país sem abrir mão de apuração, contexto e responsabilidade. A eleição de 2026 deixou outra mensagem igualmente importante.
Lula venceu, mas quase 60 milhões de brasileiros escolheram Flávio Bolsonaro. Esse número não pode ser tratado como detalhe. Governar não é falar apenas para quem venceu. Governar é falar também com quem perdeu, com quem discorda e com quem sequer se sente representado pelo vencedor.
Por isso, a declaração de Lula de que pretende governar para todos talvez seja mais importante do que qualquer promessa de campanha neste momento.
O Brasil precisa menos de bolhas e mais de diálogo. Precisa de governos capazes de explicar decisões. Precisa de oposição capaz de fiscalizar sem transformar política em guerra permanente. E precisa de imprensa que não confunda independência com ausência de posição.
O ENM Agora tem posição sobre isso. Defendemos informação verificável. Defendemos debate público com responsabilidade. Defendemos o direito de crítica. Defendemos instituições funcionando.
E defendemos que resultado eleitoral se respeita.
O governo que começa agora será cobrado. A oposição também. E nós também devemos ser! Porque um veículo que nasce em meio a uma eleição histórica precisa entender desde o primeiro dia qual é sua responsabilidade: não dizer ao leitor o que pensar, mas oferecer informação, contexto e posição editorial clara sobre os princípios que considera fundamentais.
A eleição terminou. A disputa pela comunicação, não.
