Política

Partidos que apoiaram Flávio reconhecem vitória de Lula e isolam contestação ao resultado

Lula Brasil (Foto: © Paulo Pinto/Agência Brasil/ Divulgação)

Republicanos, MDB, Podemos, União Brasil, PSDB e lideranças do PL afirmaram que resultado proclamado pelo TSE deve ser respeitado.

Foto: © Paulo Pinto/Agência Brasil/ Divulgação

A contestação do resultado presidencial feita por Flávio Bolsonaro perdeu apoio entre partidos e lideranças que estiveram ao lado de sua candidatura no segundo turno. Republicanos, MDB, Podemos e União Brasil reconheceram a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva e defenderam o respeito ao resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral. O PSDB também reconheceu a vitória e informou que seguirá na oposição.

A reação ocorreu depois de Flávio divulgar, nesta quarta-feira (28), uma carta na qual inicialmente se apresentou como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” e repetiu acusações de fraude eleitoral sem apresentar provas. Minutos depois, o texto foi republicado com alteração na abertura: a expressão foi substituída por “líder do Brasil”.

O resultado oficial do TSE deu a Lula 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%. A diferença foi de aproximadamente 4,43 milhões de votos. O segundo turno registrou 124,08 milhões de votos válidos, comparecimento de 128,2 milhões de eleitores e abstenção de 19,22%.

Parte das legendas que apoiaram Flávio durante a campanha passou a rejeitar publicamente qualquer tentativa de anular a votação. O presidente do União Brasil, Antônio Rueda, afirmou que o resultado certificado pelas autoridades eleitorais deve ser respeitado. Republicanos, MDB e Podemos também parabenizaram Lula pela vitória. O PSD desejou sucesso ao novo mandato e informou que manterá relação institucional com o governo.

No próprio PL, a linha predominante foi de reconhecimento do resultado. O presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, divulgou nota aceitando a proclamação feita pelo TSE. O candidato a vice na chapa de Flávio, Alfredo Gaspar, também reconheceu a derrota em vídeo publicado nas redes sociais.

O senador Rogério Marinho, que coordenou a campanha presidencial de Flávio, afirmou nesta quarta-feira que não há elementos para sustentar acusação de fraude.

“Nem eu nem o PL podemos dizer que houve fraude nas eleições”, afirmou Marinho a jornalistas no Senado. Segundo ele, qualquer acusação desse tipo precisaria ser acompanhada de provas.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, um dos principais apoiadores da candidatura de Flávio no segundo turno, adotou posição semelhante. “A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente”, declarou. Ele afirmou compreender a indignação do senador, mas defendeu que o resultado das urnas seja respeitado.

Hamilton Mourão, ex-vice-presidente e atual senador, classificou a carta como uma ação política e afirmou que não existe apoio institucional para uma ruptura. Questionado sobre a possibilidade de golpe, respondeu: “Golpe tem de ter apoio, e ele não existe”.

Carta questiona votação, mas dados do TSE contradizem argumento

Um dos principais argumentos apresentados por Flávio na carta foi a extensão do horário de votação em algumas localidades. O candidato derrotado afirmou que a medida teria contribuído para uma suposta fraude e citou como sinal de irregularidade o crescimento de Lula entre o primeiro e o segundo turno.

Os dados oficiais não sustentam essa tese.

Segundo o TSE, apenas 32.399 votos foram registrados entre 17h e 18h, outros 1.981 entre 18h e 19h e 13 depois das 19h. Das 497.333 seções eleitorais do país, 437.065 já haviam concluído os trabalhos até 17h10. Mesmo se todos os votos computados no período adicional fossem atribuídos ao mesmo candidato, o volume representaria menos de 1% da diferença final de aproximadamente 4,4 milhões de votos.

A variação entre os dois turnos também pode ser explicada pelo próprio universo de votos disponíveis. No primeiro turno, cerca de 9,3 milhões de votos válidos foram destinados a outros candidatos. No segundo, a abstenção caiu de 21,08% para 19,21%, acrescentando aproximadamente 4,8 milhões de votos válidos. Lula recebeu 10,4 milhões de votos adicionais entre os turnos, enquanto Flávio acrescentou cerca de 3,7 milhões.

A prorrogação do horário havia sido pedida pela coligação de Lula depois de problemas de transporte em diferentes cidades. A campanha de Flávio também solicitou ampliação do horário em São Paulo, Paraná e Santa Catarina em razão das condições climáticas. A informação não foi mencionada na carta divulgada pelo senador.

TSE reafirma legitimidade do resultado

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, voltou a defender nesta quarta-feira a regularidade da votação. Indicado ao Supremo Tribunal Federal por Jair Bolsonaro em 2020, o ministro afirmou que o eleitorado escolheu legitimamente seus representantes e que o segundo turno transcorreu “dentro da mais absoluta normalidade”.

“Informo que todos os questionamentos feitos dentro do devido processo legal serão analisados e respondidos”, declarou Kassio.

O reconhecimento do resultado também ocorreu fora do Brasil. Chefes de Estado de diferentes países parabenizaram Lula pela vitória. Nayib Bukele, presidente de El Salvador e citado por Flávio durante a campanha como referência na área de segurança pública, enviou carta de felicitações ainda no domingo (25).

Na mensagem, Bukele apresentou “felicitações” pela reeleição de Lula e afirmou disposição para manter a cooperação entre Brasil e El Salvador.

A carta de Flávio foi divulgada poucas horas depois de sua chegada aos Estados Unidos. O senador informou que pretende liderar a oposição brasileira do exterior. A primeira versão apresentada por aliados o definia como presidente eleito; a versão posteriormente publicada em suas próprias redes substituiu essa expressão por “líder do Brasil”.

Até a noite desta quarta-feira (28), o PL, o candidato a vice de Flávio, os governadores aliados e partidos que integraram o campo de apoio ao senador haviam reconhecido o resultado oficial proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral.

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