A internação do deputado federal André Janones (Rede-MG), de 42 anos, após um episódio de arritmia cardíaca e falta de ar colocou em evidência uma condição que pode variar de alterações benignas do ritmo do coração a quadros associados a acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca e morte súbita.
Janones deu entrada na madrugada de segunda-feira (19) na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Vila Nova Star, em São Paulo (SP), depois de apresentar arritmia e dificuldade para respirar. O parlamentar havia acompanhado horas antes o debate presidencial realizado pela Band. A causa específica do episódio não foi divulgada pela equipe médica.
Segundo o boletim assinado pelos médicos Ludhmila Abrahão Hajjar, Paulo Marcelo Gehm Hoff e Daniel Favarão Del Negro, o deputado permaneceu sob monitorização cardíaca contínua.
“O paciente encontra-se clinicamente estável, sob monitorização cardíaca contínua, sem novos episódios de arritmia desde a internação”, informou o hospital.
O boletim informou ainda evolução favorável e expectativa de alta em até 48 horas, caso o quadro permaneça estável.
Arritmia é um termo amplo. Significa que o coração passou a bater fora do ritmo considerado normal. Os batimentos podem ficar acelerados, lentos ou irregulares. Algumas alterações são transitórias e de baixo risco; outras precisam de investigação e tratamento.
Entre os sintomas possíveis estão palpitações, sensação de coração acelerado ou “falhando”, tontura, fraqueza, falta de ar, desconforto no peito e desmaio. Há também pacientes que apresentam alterações sem perceber sintomas.
Não há informação médica divulgada que permita relacionar diretamente o episódio de Janones ao estresse, privação de sono ou à atividade política. A arritmia pode estar associada a diversas situações, entre elas alterações estruturais do coração, hipertensão, doenças da tireoide, distúrbios eletrolíticos, álcool, cafeína em excesso, determinados medicamentos, fatores genéticos e estresse.
Um dos tipos mais importantes é a fibrilação atrial, considerada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia e pela Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas a arritmia sustentada mais comum na prática clínica. Isso não significa que esse tenha sido o diagnóstico de Janones; o hospital não informou qual tipo específico de arritmia ocorreu.
Os números da fibrilação atrial mostram por que alterações do ritmo cardíaco merecem atenção. A Diretriz Brasileira de Fibrilação Atrial de 2025 aponta prevalência estimada de 537 casos para cada 100 mil habitantes no Brasil em 2019. No estudo ELSA-Brasil, que avaliou 13.260 pessoas, 2,5% apresentavam fibrilação ou flutter atrial.
Entre idosos residentes na cidade de São Paulo, outro levantamento citado pela diretriz encontrou prevalência de 2,9% nos homens e 2% nas mulheres.
A idade aumenta significativamente o risco. Dados revisados pelos Arquivos Brasileiros de Cardiologia indicam crescimento acentuado da frequência da fibrilação atrial a partir dos 50 anos, podendo chegar a taxas várias vezes superiores entre pessoas acima de 80 anos.
Outro ponto importante é a relação com acidente vascular cerebral. A Diretriz Brasileira de 2025 aponta que a fibrilação atrial aumenta, em média, quatro vezes o risco de AVC e também está associada a maior risco de insuficiência cardíaca e mortalidade.
O diagnóstico depende do tipo e da frequência dos episódios. O eletrocardiograma pode identificar alterações presentes naquele momento. Quando a arritmia aparece de forma intermitente, médicos podem utilizar Holter, dispositivos de monitoramento prolongado ou outros exames.
O tratamento também varia. Há situações em que apenas acompanhamento e controle dos fatores de risco são necessários. Em outras, podem ser utilizados medicamentos, cardioversão elétrica, ablação por cateter, marca-passo ou cardiodesfibrilador.
A recomendação para a população é procurar atendimento imediato quando alterações dos batimentos vierem acompanhadas por falta de ar importante, dor no peito, desmaio, confusão, fraqueza intensa ou sintomas neurológicos.
No caso de Janones, o boletim médico divulgado na segunda-feira (19) informou que não houve novos episódios de arritmia depois da internação e que o parlamentar permanecia em monitorização cardíaca contínua.
