O Reino Unido anunciou nesta terça-feira (20) que enviará caças Typhoon da Força Aérea Real para reforçar a defesa da Arábia Saudita contra ataques de mísseis e drones lançados pelos rebeldes houthis, que atuam no Iêmen. A decisão ocorre em meio à intensificação dos confrontos na região e à preocupação internacional com a segurança da população civil.
Segundo a Associated Press, o governo britânico pretende utilizar as aeronaves em patrulhas defensivas sobre o território saudita. O objetivo é interceptar ameaças aéreas, sem realizar bombardeios contra posições houthis no Iêmen.
O anúncio amplia o apoio militar de Londres a Riad, que enfrenta novos ataques contra instalações estratégicas e áreas de infraestrutura.
Reino Unido reforça defesa aérea saudita
O secretário de Defesa britânico, Wes Streeting, afirmou que os caças atuarão exclusivamente em operações defensivas. O plano também prevê o envio de assessores militares e de uma aeronave de transporte para apoiar as atividades.
Além disso, o Reino Unido decidiu prolongar por mais 90 dias o apoio de reabastecimento aéreo oferecido às forças sauditas.
Apesar do reforço militar, o governo britânico sustenta que o conflito no Iêmen não possui solução exclusivamente militar e defende a retomada das negociações de paz conduzidas pelas Nações Unidas.
O Egito também anunciou apoio à Arábia Saudita, incluindo recursos de defesa aérea e aeronaves. As autoridades egípcias, porém, não anunciaram o envio de tropas terrestres.
Ataques no Iêmen deixam dezenas de mortos
A escalada da violência atingiu também forças ligadas ao governo iemenita. Um ataque com míssil contra um campo de treinamento militar na província de Shabwa deixou 73 recrutas mortos e mais de 200 feridos, segundo informações divulgadas pela Associated Press.
Na cidade de Taiz, dois adolescentes morreram e outras seis pessoas ficaram feridas após um ataque atribuído aos houthis contra uma área residencial.
A situação preocupa as Nações Unidas, que alertam para os riscos enfrentados pela população de Taiz. A cidade sofre há anos com restrições de circulação, dificuldades de abastecimento e confrontos entre grupos armados.
Entenda o conflito entre houthis e Arábia Saudita
A guerra no Iêmen ganhou força em 2014, quando os houthis assumiram o controle de áreas importantes do país, incluindo a capital, Sanaa.
No ano seguinte, uma coalizão liderada pela Arábia Saudita iniciou uma intervenção militar em apoio ao governo iemenita reconhecido internacionalmente.
O grupo houthi recebe apoio do Irã, enquanto a Arábia Saudita busca conter sua expansão e proteger suas fronteiras e instalações estratégicas.
Uma trégua estabelecida em 2022 reduziu temporariamente a intensidade dos confrontos. Entretanto, a retomada das ofensivas elevou novamente a tensão e ampliou os riscos para países vizinhos.
Crise humanitária preocupa a ONU
Além das consequências militares, a guerra compromete o acesso da população iemenita a alimentos, serviços de saúde e outros recursos essenciais.
A ONU alerta para o agravamento da situação humanitária em Taiz, onde os confrontos e as restrições de acesso dificultam a chegada de assistência.
Com a intensificação dos ataques e o envolvimento de outros países no reforço da segurança saudita, cresce a pressão internacional por medidas que protejam civis e favoreçam uma solução negociada para o conflito.
